Brasilidade, encantaria e resistência

o silêncio e essa “coisa de outra ordem”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/lil.v26inesp.8671418

Palavras-chave:

Discurso, Brasilidade, Silêncio, Resistência, Poético

Resumo

Fundamentando nosso olhar desde uma perspectiva discursiva que interseccione/questione discursos sustentados na colonialidade, parece-nos incontornável o conceito de silêncio elaborado por Orlandi (1992) para compor uma reflexão que busque os movimentos de dominação e as práticas de resistência em torno da brasilidade. Assim, colocamos a noção de silêncio na encruzilhada teórico-política que busca caminhos possíveis diante das marcas da colonialidade (Simas, 2019; Gonzalez [1984] 2020; Mbembe [2013] 2018). Tal gesto parece abrir os caminhos para sentidos cujas formas apontam tanto para as práticas coloniais/contemporâneas de violência, silenciamento e esquecimento, como para movimentos-outros que passam pelo encanto das cantorias, das giras, dos corpos dançantes, das brincadeiras, dos tambores, de uma brasilidade que fala em outro tom.

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Biografia do Autor

Glória França, Universidade Federal do Maranhão

Professora adjunta no Departamento de Letras/UFMA e no Programa de Pós-Graduação em Letras/UFMA Bacabal. Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Discursos, Interseccionalidades e Subjetivações (GEPEDIS/CNPq)

Tyara Veriato Chaves, UFMA

Tyara Veriato Chaves, pesquisadora visitante do Programa de Pós-Graduação em Letras/UFMA Bacabal (FAPEMA). Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Discursos, Interseccionalidades e Subjetivações - GEPEDIS/CNPq e do Grupo de Pesquisa Mulheres em Discurso (Unicamp/CNPq).

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

FRANÇA, G.; VERIATO CHAVES, T. Brasilidade, encantaria e resistência: o silêncio e essa “coisa de outra ordem”. Línguas e Instrumentos Línguísticos, Campinas, SP, v. 25, n. n.esp, p. 153–165, 2022. DOI: 10.20396/lil.v26inesp.8671418. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/lil/article/view/8671418. Acesso em: 30 nov. 2022.