Impacto da verticalização no microclima urbano

o caso do bairro Guaxuma, em Maceió-AL, Brasil

Autores

  • Aline Maria Pereira Nogueira Universidade Federal de Alagoas
  • Iuri Ávila Lins de Araújo Universidade Federal de Alagoas
  • Leonardo Salazar Bittencourt Universidade Federal de Alagoas
  • Gabriella Restaino Universidade Federal de Alagoas

DOI:

https://doi.org/10.20396/parc.v9i2.8650267

Palavras-chave:

Microclima urbano, Verticalização, Simulação computacional, Clima quente e úmido, Ventilação natural

Resumo

Este trabalho investiga os efeitos do adensamento por verticalização, no microclima urbano, para avaliar possíveis impactos de decisões de planejamento urbano na qualidade ambiental das cidades. A pesquisa baseou-se no estudo de caso de uma fração do bairro Guaxuma, o loteamento Gurgury, que está situado no litoral norte da cidade de Maceió – AL e vem apresentando sinais de um processo acelerado de verticalização devido ao processo de valorização imobiliária da região. O método da pesquisa consistiu de análise comparativa, utilizando a ferramenta computacional ENVI-met 4.2 para simular temperatura e velocidade do ar, em três diferentes cenários. O primeiro representando o padrão atual de ocupação e outros dois cenários futuros, baseados no novo padrão de uso permitido pela legislação vigente. Um dos cenários futuros apresenta a implantação de edifícios com 10 pavimentos e o outro com edifícios de 20 pavimentos. Os resultados das simulações computacionais demonstraram que a verticalização na área estudada afetou o microclima local, principalmente o desempenho da ventilação natural. A diferença entre os modelos de 10 e o de 20 pavimentos foi relevante, chegando à 1,21 m/s na velocidade do ar entre esses dois cenários. Os resultados sugerem que na escala da faixa litorânea do Bairro Guaxuma, os efeitos da verticalização, tal como promovida pelo novo código de edificações, provoca mudanças na dinâmica do vento, sendo o cenário de 20 pavimentos o que apresentou melhor desempenho para promoção do conforto térmico na área.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Aline Maria Pereira Nogueira, Universidade Federal de Alagoas

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo - Cidades - linha de pesquisa Tecnologias. Professora Assistente em regime de Dedicação Exclusiva do curso de Engenharia Civil e Engenharia de Produção da Universidade Federal de Alagoas, Campus do Sertão.

Iuri Ávila Lins de Araújo, Universidade Federal de Alagoas

Mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas. Professor assistente da Universidade Federal de Alagoas. 

Leonardo Salazar Bittencourt, Universidade Federal de Alagoas

Doutorado em Environment and Energy Studies - Architectural Association Graduate School. Professor da Universidade Federal de Alagoas.

Gabriella Restaino, Universidade Federal de Alagoas

Arquiteta e Docente (Universidade Sapienza de Roma), Doutora em Cultura e Território (Universidade Tor Vergata de Roma), Pós-doutora em Urbanismo-Paisagismo-Arquitetura, Professora Doutora Col. Mestrado “Dinâmica do espaço habitado”, Curso de Doutorado “Cidades” (FAU-UFAL-Brasil). 

Referências

ALUCCI, M. P. Conforto térmico, conforto luminoso e conservação de energia elétrica: procedimentos para desenvolvimento e avaliação de projeto de edificação. 1992. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1992.

AZERÊDO, J. de F. A. Microclimas urbanos: estudo bioclimático em bairros litorâneos, João Pessoa/PB. 2011. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Urbano) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2011.

BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, Departamento Nacional de Meteorologia. 1992. Normais Climatológicas 1961-1990. Brasília, DNMET, 1992.

BRASIL. Estatuto da Cidade - Lei n. 10257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 10 jul. 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Acesso em: 13 dez. 2014.

BRASIL ESCOLA. Mapa de localização do estado de Alagoas. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/brasil/alagoas.htm. Acesso em 03/03/2018.

BRUSE, M. ENVI-met 4.2 Summer17. Disponível em: http://www.envi-met.com. Acesso em 05/10/2017.

CELEBRE ALAGOAS. Bairros de Maceió. Disponível em: http://www.celebrealagoas.blogspot.com.br. Acesso em 03/03/2018.

GIVONI, B. Comfort climate analysis and building design guidelines. Energy and Buildings, v. 18, n. 1, p. 11-23, july. 1992. doi: https://doi.org/10.1016/0378-7788(92)90047-K

GIVONI, B. Climate considerations in building and urban design. New York: Van Nostrand Reinhold, 1998.

GOOGLE. Google Earth. Disponível em: www.google.com.br/earth/index.html. Acesso em 02/06/2017.

GOOGLE. Google Maps. Disponível em: https://www.google.com.br/maps/place/Guaxuma. Acesso em 03/03/2018.

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2010. Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

LAMBERTS, R.; MACIEL, A.; ONO, E. Analysis Sol-Ar, Versão 6.2. Florianópolis: LabEEE UFSC, 2009. Disponível em: http://www.labeee.ufsc.br. Acesso em: 14/11/2017.

MARTINS, T. A. L.; BONHOMME, M.; ADOLPHE, L. Análise do impacto da morfologia urbana na demanda estimada de energia das edificações: um estudo de caso na cidade de Maceió-AL. Ambiente Construído, v.13. n. 4, 2013. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S1678-86212013000400015

MACEIÓ. Lei Municipal n°5486, de 30 de dezembro de 2005. Institui o Plano Diretor da Maceió, estabelece diretrizes gerais de política de desenvolvimento urbano e dá outras providências. Diário Oficial do Município de Maceió. Maceió, 88 p., dezembro, 2005.

MACEIÓ. Lei Municipal n°5.593, de 8 de fevereiro de 2007. Institui o Código de Urbanismo e de Edificações da Município de Maceió. Diário Oficial do Município de Maceió. Maceió, 172 p., fevereiro, 2007.

PARAMITA, B.; KOERNIAWAN, M. D. Solar envelope assessment in tropical region building case study: Vertical settlement in Bandung, Indonesia. Procedia Environmental Sciences. v. 17, p. 757-766, 2012. doi: https://doi.org/10.1016/j.proenv.2013.02.093

PREFEITURA MUNICIPAL DE MACEIÓ. Base Cartográfica do Município de Maceió. Maceió, 2008, CD-ROM.

SHASUA-BAR, L.; HOFFMAN, M. E. Vegetation as a climatic component in the design of an urban street: an empirical model for predicting the cooling effect of urban green areas with trees. Energy and Building, v. 31, n. 3, p. 221-235, abr. 2000. doi: https://doi.org/10.1016/S0378-7788(99)00018-3

TORRES, D. de A. Desempenho térmico de habitações populares em Alagoas: alternativas para adequação climática. 2015. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2015.

WANG, y.; ZHOU, D. Simulation Study of Urban Residential Development and Urban Climate Change in Xi’an, China. Procedia Engineering, v.180, p. 423-432, 2017. doi: https://doi.org/10.1016/j.proeng.2017.04.201

YAMAMOTO, Y. Measures to mitigate urban heat islands. The Quarterly review, n.18, p. 65-80, January. 2006.

Downloads

Publicado

2018-06-29

Como Citar

NOGUEIRA, A. M. P.; ARAÚJO, I. Ávila L. de; BITTENCOURT, L. S.; RESTAINO, G. Impacto da verticalização no microclima urbano: o caso do bairro Guaxuma, em Maceió-AL, Brasil. PARC Pesquisa em Arquitetura e Construção, Campinas, SP, v. 9, n. 2, p. 72–85, 2018. DOI: 10.20396/parc.v9i2.8650267. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/parc/article/view/8650267. Acesso em: 27 nov. 2021.

Edição

Seção

Artigos