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Estigma e dispositivos de controle
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Palavras-chave

Dispositivos de controle
“Partilha do sensível”
“O Grão”
Arte
Dissenso

Como Citar

ALVES, Cintia; DOS PASSOS, Fábio Abreu; SILVA, Elivanda de Oliveira. Estigma e dispositivos de controle: a presença cênica de pessoas com deficiência. Pitágoras 500, Campinas, SP, v. 13, n. 00, p. e023006, 2023. DOI: 10.20396/pita.v13i00.8673241. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/pit500/article/view/8673241. Acesso em: 25 jun. 2024.

Resumo

Desde nossa gestação, através do “chá revelação”, somos determinados a exercer um papel específico, a performar dentro de um “espaço” predeterminado, seja enquanto homem (azul) ou enquanto mulher (rosa). Esta construção restritiva, efeito do processo dos ideais reguladores sociais, impõe-se sobre as pessoas no transcorrer de toda a sua existência, assujeitando-as e limitando o que elas vão dizer, como elas vão se portar, como irão agir: de que maneira seus corpos irão performar. Diante deste cenário, a arte se apresenta como espaço de resistência, uma vez que ela possui um poder de desestabilizar os ideais reguladores, inaugurando “ficções” e dissensos, democratizando a “partilha do sensível”. O objetivo do presente artigo é lançar luz sobre projetos cênicos que dialogam com corpos dissidentes, sobretudo de pessoas com deficiências, a exemplo do coletivo “O Grão”. Esses projetos cênicos apresentam-se como espaços de resistência contra os dispositivos de controle, que nos constituem como sujeitos passivos, que devem docilmente permanecer no interior do quinhão que nos foi determinado na “partilha do sensível”.

https://doi.org/10.20396/pita.v13i00.8673241
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