O rastro e a cicatriz: metáforas da memória

Autores

  • Jeanne Marie Gagnebin Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

Cicatriz. Memória e lembrança. História. Escrita. Rastro. Restos

Resumo

Da cicatriz de Ulisses aos rastros/restos, a memória e a lembrança. A cicatriz deixada pela experiência, portando a promessa que a história, apesar de todos os sofrimentos, terminaria bem. Com ela e através dela guardam-se a continuidade de gerações (filiações), alianças e eficácia da palavra, narrativa. É ela memória e lembrança, história. Na ferida que não cicatriza, o trauma, difícil, senão impossível narração. E a memória e a lembrança são portadas pela escrita, rastro privilegiado e duradouro que os homens deixam de si. Porém, a escrita é, hoje, não mais esse rastro, mas o efêmero, o nãointencional, os restos. No entanto, podemos - e talvez devamos - continuar a decifrar os rastros e a recolher os restos. Tarefa silenciosa, anônima, mas imprescindível do narrador autêntico.

Abstract:

From Ulysses' scar to the trace/rests, the memory and the remembrance. The scar left by the experience, carrying the promise that the history, despite ali suffering, would end well. With it and through it the continuity of generations (affiliations), alliances and efficacy of the word, narrative. It is memory and remembrance, history. In the wound that does not heal, the trauma, difficult, if not impossible narration. And the writing, privileged and lasting trace that the men leave of themselves carry the memory and remembrance. However, the writing is, nowadays, no longer this trace, but the ephemeral, non-intentional, the rests. Nevertheless, we can - and maybe we must - keep on deciphering the traces and guarding the rests. Silent, anonymous, but vital task of the authentic narrator.

Key-words: Scar. Semory and remembrance. History. Writing. Trace. Rests

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Biografia do Autor

Jeanne Marie Gagnebin, Universidade Estadual de Campinas

Deixou a Suíça aos 18 anos para estudar em Tübingen, na Alemanha, onde participou de uma experiência educativa libertária. Os estudantes praticavam a autogestão. "Isto foi em 1968, a gente fazia passeata, ia ver o túmulo do Hölderlin, era realmente muito bonito." Posteriormente voltou à Suíça para estudar Letras e Filosofia. Graduou-se na Universidade de Genebra, com Philosophie de l'Histoire chez Walter Benjamin. Três anos depois, iniciou o doutorado em Universidade de Heidelberg, na Alemanha, concluído 1978, com Zur Geschichtsphilosophie Walter Benjamins. Die Unabgeschlossenheit des Sinnes ("Sobre a Filosofia da História de Walter Benjamin. O Inacabamento do Sentido.").

Gagnebin tem cinco títulos de pós-doutorado (da École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1986-1988; da Universität Konstanz, 1989-1990; da Freie Universität Berlin, 1996-1996; do Zentrum für Literatur- und Kulturforschung de Berlim, 2000, e da École Normale Supérieure de Paris, 2006).[1]

É casada com o filósofo e professor brasileiro Marcos Lutz Müller, que conheceu quando ambos estudavam na Alemanha. Em janeiro de 1978, o casal se instalou em Campinas, já que ele fora contratado pelaUnicamp. "Ganhei uma nova consciência social ao sair da Suíça... Hoje, minha casa é o Brasil, mesmo me sentindo tão estrangeira no Brasil quanto na Suíça. Na verdade, eu me sinto estrangeira em todos os lugares", diz Gagnebin. [2]

Em 1979, foi convidada por Bento Prado para lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente é professora de Filosofia da PUC-SP e livre-docente da Unicamp, atuando na área deteoria e crítica literárias

Referências

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VERNANT, Jean Pierre. L'individu, Ia mor!,I'amour.Paris: Gallimard, 1989.

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Publicado

2016-03-07

Como Citar

GAGNEBIN, J. M. O rastro e a cicatriz: metáforas da memória. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 13, n. 3, p. 125-133, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643942. Acesso em: 27 out. 2020.

Edição

Seção

Dossiê