As narrativas fílmicas sobre grupos do passado e a naturalização de estereótipos de raça e gênero em ações da educação patrimonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v16i1.8666157

Palavras-chave:

Arqueologia de gênero, Narrativas arqueológicas, Colonialidade, Educação patrimonial

Resumo

No desenvolvimento da ciência moderna, a arqueologia tem desempenhado um papel significativo na legitimação e manutenção de agendas racistas, patriarcais e opressoras da colonialidade do poder e do saber. Através da análise de três curtas-metragens adotados nos últimos cinco anos em ações de extroversão do conhecimento e educação patrimonial em arqueologia preventiva (In the rough [2005], Uhug – Na Serra da Capivara [2005] e Komum [2010]), busco refletir sobre nosso papel social enquanto arqueólogos e pessoas educadoras e discutir como uma prática irrefletida pode atuar em favor de políticas de apagamento e formas de opressão discursivas e materiais contra grupos minoritários, sobretudo mulheres e povos racializados.

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Biografia do Autor

Marina Neiva de Oliveira , Universidade Federal de Goiás

Graduação em Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), com ênfase tecnologia lítica e arqueologia pré-histórica. Atuou como arqueóloga em empresas de meio ambiente na coordenação, gestão e execução de pesquisas arqueológicas em licenciamento ambiental. Também atuou na elaboração de diagnósticos socioeconômicos no âmbito de Licenciamento Ambiental. Atualmente é coordenadora de arqueologia na Pawá Arqueologia e Patrimônio.

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Publicado

2021-06-28

Como Citar

OLIVEIRA , M. N. de . As narrativas fílmicas sobre grupos do passado e a naturalização de estereótipos de raça e gênero em ações da educação patrimonial. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 16, n. 1, 2021. DOI: 10.20396/rap.v16i1.8666157. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/229-247. Acesso em: 25 out. 2021.