Ancestrais, tartarugas e moisés – interface dialógica entre arqueologia e antropologia na etnografia dos hupd’äh (Rio Negro)

Autores

  • Frederic Mario Caires Pouget Universidade Estadual de Campinas
  • Danilo Ramos Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v8i1.8635662

Palavras-chave:

Ancestralidade. Etnoarqueologia. Hupd’äh, Maku

Resumo

O artigo visa problematizar a noção de ancestralidade, recurso conceitual comum aos temas de patrimônio e à interpretação arqueológica. Para tanto, utilizamos aportes teóricos da antropologia e da arqueologia em diálogo com a experiência etnográfica junto aos Hupd’äh - Maku (Alto Rio Negro). Esse povo parece associar um aspecto de ancestralidade da mitologia bíblica judaica cristã às sua própria noção de ancestralidade. Pretende-se demonstrar como os contextos arqueológicos associados etnograficamente podem complexificar as noções de patrimônio (material e imaterial) e de ancestralidade. 

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Biografia do Autor

Frederic Mario Caires Pouget, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em História Cultural- IFCH/UNICAMP, Mestre em Arqueologia- MAE/USP, Bacharel em Ciências Sociais- USP.

Danilo Ramos, Universidade de São Paulo

Doutor em Antropologia Social- USP, Mestre em Antropologia Social- USP, Bacharel em Ciências Sociais USP.

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Publicado

2015-06-02

Como Citar

POUGET, F. M. C.; RAMOS, D. Ancestrais, tartarugas e moisés – interface dialógica entre arqueologia e antropologia na etnografia dos hupd’äh (Rio Negro). Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 8, n. 1[9], p. 6–22, 2015. DOI: 10.20396/rap.v8i1.8635662. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8635662. Acesso em: 27 nov. 2021.

Edição

Seção

Artigos