Ânforas, commodities agrícolas e o ocaso do minimalismo econômico

Autores

  • Paulo Pires Duprat Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v9i3.8641284

Palavras-chave:

Arqueologia. Ânforas. Commodities agrícolas. Economia antiga. Marketing design.

Resumo

A utilização de ânforas como método de acondicionamento foi praticada por todos os povos mediterrânicos, destacando um aspecto tecnológico comum que pode ser comprovado pela Arqueologia sob extenso recorte temporal e geográfico. Novos estudos sobre ânforas gregas e romanas estão condenando ao ocaso a visão minimalista para a economia antiga e sua noção de que apenas bens de luxo eram comercializados, haja visto que a utilização de ânforas está associada ao transporte de “commodities agrícolas”. Vou apresentar algumas perspectivas oriundas do marketing design que consideram as ânforas como as primeiras embalagens de consumo (consumer package) fabricadas em larga escala, cujo projeto e design demonstram que os povos antigos praticavam uma variante de racionalismo econômico que só pode ser apreendida se analisada em seu próprio contexto. 

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Biografia do Autor

Paulo Pires Duprat, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Biblioteconomia e Documentação (2000) e em História (2011), ambas pela UFF. É servidor público federal desde 2005 e atua como bibliotecário na FAU/UFRJ. Titulou-se como mestre em História Comparada pelo PPGHC/UFRJ em 2015, sob a orientação da Profa Dr. Norma Musco Mendes.

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Publicado

2015-10-23

Como Citar

DUPRAT, P. P. Ânforas, commodities agrícolas e o ocaso do minimalismo econômico. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 9, n. 3[13], p. 72–84, 2015. DOI: 10.20396/rap.v9i3.8641284. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8641284. Acesso em: 4 dez. 2021.