Arqueoturismo no cerrado e na amazônia: Dois pedaços de um mesmo pote

  • Renata de Godoy Universidade Federal do Pará
Palavras-chave: Turismo arqueológico. Brasília. Oficina lítica. Amazônia. Marajó

Resumo

Este artigo compara o Turismo Arqueológico, ou Arqueoturismo, em duas situações distintas no Brasil: um conjunto de sítios paleolíticos no Distrito Federal e um sítio colonial, onde o turismo tem sido explorado na Amazônia Brasileira, no Pará. Em Brasília, fruto de uma pesquisa de doutorado, o turismo foi analisado como uma opção de uso e de gestão do patrimônio com baixíssima visibilidade e consequente baixo potencial turístico. E na Amazônia, fruto de uma pesquisa em andamento de pós-doutoramento, o turismo tem sido avaliado enquanto ferramenta de preservação e de inclusão do público. Nas duas pesquisas, constata-se uma grande expectativa dos públicos em relação ao aproveitamento turístico, e o baixo aproveitamento da atividade nos sítios analisados até o momento. Nos dois estudos, notam-se benefícios de natureza coletiva, elencados como capitais simbólicos.

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Biografia do Autor

Renata de Godoy, Universidade Federal do Pará

Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal do Pará (PPGA/UFPA).

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Publicado
2016-01-11
Como Citar
Godoy, R. de. (2016). Arqueoturismo no cerrado e na amazônia: Dois pedaços de um mesmo pote. Revista Arqueologia Pública, 9(2[12]), 87-107. https://doi.org/10.20396/rap.v9i2.8642870