Gestão do patrimônio arqueológico na Amazônia: desafios da curadoria compartilhada na REDES do Tupé, Manaus, Amazonas

Autores

  • Helena Pinto Lima Museu Paraense Emílio Goeldi
  • Ellen Barbosa Andrade Universidade Federal do Amazonas
  • Carlos Augusto da Silva Universidade Federal do Amazonas

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v11i2.8649677

Palavras-chave:

Gestão do patrimônio arqueológico. Acervos. Colecionismo. Curadoria compartilhada. Comunidades amazônicas.

Resumo

Este artigo discute a formação e formas de apropriação de um acervo arqueológico com peças recolhidas por moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, localizada na zona rural de Manaus/AM. Apresentamos ações do Grupo Interinstitucional “Tupé: Memória, Cultura e Identidade” destacando a formação de um grupo comunitário de cerâmica artesanal; o inventário participativo do acervo; e a montagem de uma exposição concebida coletivamente. Durante a experiência salientaram-se conflitos que evidenciam ambiguidades referentes a coleta (e ao colecionismo), a apropriação e socialização do acervo arqueológico, bem como a legislação de salvaguarda desses bens públicos. Refletindo sobre a experiência, é possível registrar aprendizados concernentes à gestão do patrimônio arqueológico na região amazônica.

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Biografia do Autor

Helena Pinto Lima, Museu Paraense Emílio Goeldi

Coordenação de Ciências Humanas, área de arqueologia

Ellen Barbosa Andrade, Universidade Federal do Amazonas

Faculdade de Tecnologia

Carlos Augusto da Silva, Universidade Federal do Amazonas

Centro de Ciências Ambientais/UFAM

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Publicado

2017-11-30

Como Citar

LIMA, H. P.; ANDRADE, E. B.; SILVA, C. A. da. Gestão do patrimônio arqueológico na Amazônia: desafios da curadoria compartilhada na REDES do Tupé, Manaus, Amazonas. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 11, n. 2[19], p. 114–137, 2017. DOI: 10.20396/rap.v11i2.8649677. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8649677. Acesso em: 4 fev. 2023.

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