Como ser um queer não enquadrado

axialidades radicais para tempos obscurantistas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v13i1.8654870

Palavras-chave:

Queer, Colonialismo, Axialidades

Resumo

Este texto parte da necessidade de se pensar um queer radical, que não apenas desconstrua dispositivos de poder, mas também os processos coloniais, os racismos e os enquadramentos. Assim, apresentamos o queer como um contraponto a gramática moral normativa, como forma de se deslocar dos lugares de enunciação estáveis e “enquadrados”. Nesse sentido, indicamos nossa noção de “enquadramento” e como diversos autores vem trabalhando questões referentes ao aparato colonial desde o queer – e vice-versa. Trazemos ainda uma discussão sobre axialidades, a partir das críticas two-spirit para, finalmente, construir algumas considerações sobre as possibilidades de se pensar um queer desde suas axialidades.

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Biografia do Autor

Estevão Rafael Fernandes, Universidade Federal de Rondônia

Doutor em Estudos Comparados Sobre As Américas pela Universidade de Brasília. Professor do Departamento de Ciências Sociais em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça da Universidade Federal de Rondônia é também professor colaborador em Antropologia Social pela Universidade Federal do Mato Grosso.

Fabiano de Souza Gontijo, Universidade Federal do Pará

Doutor em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales. Pós-Doutorado pela
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Professor Titular em Antropologia  do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas pela Universidade Federal do Pará. 

 

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Publicado

2019-07-03

Como Citar

FERNANDES, E. R.; GONTIJO, F. de S. Como ser um queer não enquadrado: axialidades radicais para tempos obscurantistas. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 13, n. 1[22], p. 66–84, 2019. DOI: 10.20396/rap.v13i1.8654870. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8654870. Acesso em: 4 fev. 2023.