Os impasses da bioarqueologia

o dimorfismo sexual sob uma crítica transfeminista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v16i1.8663574

Palavras-chave:

Bioarqueologia, Dimorfismo sexual, Transfeminismo, Gênero, Não-binário

Resumo

Este artigo problematiza de forma crítica como a arqueologia, em especial, a bioarqueologia trata o material arqueológico, como remanesce humanos de origem biológica de forma binária, sob uma perspectiva cis-heteronormativa sobre corpos humanos, e assim legitimando todo o Apartheid de gênero existente na América Latina. O objetivo desse artigo, é mostrar como o dimorfismo sexual é artificial e potencialmente perigoso, quando atravessa desde a intepretação do passado humano até o presente, onde as pessoas trans e intersexo são oprimidas e invisibilizadas em função de um dimorfismo sexual pretensioso e compulsório. A metodologia aplicada foi a revisão bibliográfica e teórica.

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Biografia do Autor

Violet Baudelaire Anzini, Universidade Federal do Rio Grande

Violet Baudelaire é graduada em Arqueologia com ênfase em arqueologia do capitalismo pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Sendo uma das primeiras mulheres trans e travestis a se formar em arqueologia no Brasil. Suas áreas de atuação nas ciências humanas são gênero, transfeminismo, performance, sexualidade, arqueologia do contemporâneo, da paisagem, do corpo e da performance, onde desenvolve pesquisas científicas e performances artísticas debatendo essas temáticas e problemáticas. Violet é arqueóloga, cientista e artista.

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Publicado

2021-06-28

Como Citar

ANZINI, V. B. Os impasses da bioarqueologia: o dimorfismo sexual sob uma crítica transfeminista. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 16, n. 1, p. 129–144, 2021. DOI: 10.20396/rap.v16i1.8663574. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8663574. Acesso em: 28 out. 2021.