Mímesis a contrapelo: ficção e autobiografia nos romances Berkeley em Bellagio e Lorde, de João Gilberto Noll

Autores

  • Márcio Renato Pinheiro da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v29i2.8636281

Palavras-chave:

Teoria Literária. Crítica literária. Arquivos.

Resumo

Este artigo analisa a relação entre autobiografia e ficção em Berkeley em Bellagio (2002) e Lorde (2004), romances do escritor brasileiro contemporâneo João Gilberto Noll. Em um primeiro momento, a ficcionalização de referências da experiência do escritor no exterior torna incertas as fronteiras entre autobiografia e ficção. Mas a improbabilidade de muitos eventos, bem como muitas disjunções retóricas entre o que os personagens dizem que fazem e o que as narrativas realmente fazem, desfazen tal incerteza, mostrando que as duas narrativas podem ser mais bem lidas como ficção. Por outro lado, esses romances usam a autobiografia como uma técnica auto-reflexiva, i. e., precisamente, como uma maneira de criticar as condições de produção dos próprios romances, o que revela e, ao mesmo tempo, supera a equivalência entre miséria material e simbólica (ou ficcional).

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Biografia do Autor

Márcio Renato Pinheiro da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professor de Teoria Literária do Departamento de Letras do Centro de Ensino Superior do Seridó (DLC/Ceres) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN, campus de Currais Novos).

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Publicado

2010-06-30

Como Citar

SILVA, M. R. P. da. Mímesis a contrapelo: ficção e autobiografia nos romances Berkeley em Bellagio e Lorde, de João Gilberto Noll. Remate de Males, Campinas, SP, v. 29, n. 2, p. 299–317, 2010. DOI: 10.20396/remate.v29i2.8636281. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8636281. Acesso em: 1 dez. 2022.