“Pathé-Baby”: os deslizamentos da prosa turística de Alcântara Machado

Autores

  • Danielle Crepaldi Carvalho Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v37i1.8649237

Palavras-chave:

Pathé-Baby. Cinema e literatura. Cinema silencioso e música.

Resumo

O artigo propõe uma análise de Pathé-Baby (1926), do paulistano Alcântara Machado, no que toca ao diálogo estabelecido pela obra com a tradição literária – sobretudo no que diz respeito à subversão do tema e da forma do longevo gênero “Literatura de Viagem”. Para tanto, investiga os ecos da Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes (Paris, 1925) na prosa do autor. A câmera portátil que dá título à obra define o palmilhar cortante do escritor modernista pelas milenares cidades europeias, acabando por balizar as coordenadas da nova literatura brasileira.

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Biografia do Autor

Danielle Crepaldi Carvalho, Universidade de São Paulo

Pós-doutoranda pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), com pesquisa (financiada pela FAPESP) que se debruça sobre os usos dos sons no cinema silencioso. É doutora pela Universidade Estadual de Campinas (IEL-UNICAMP), com tese que investiga a relação que os cronistas brasileiros de 1894 a 1922 estabeleceram com o cinema. Mestre pela mesma instituição, com dissertação a respeito da produção teatral de Coelho Netto escrita em fins do século XIX. Coorganizou edições anotadas de seletas de contos dedicados a João do Rio e a António de Alcântara Machado. Interessada na circularidade cultural, tem artigos publicados acerca da Literatura, do Cinema e do Teatro.

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Publicado

2017-08-28

Como Citar

CARVALHO, D. C. “Pathé-Baby”: os deslizamentos da prosa turística de Alcântara Machado. Remate de Males, Campinas, SP, v. 37, n. 1, p. 385–407, 2017. DOI: 10.20396/remate.v37i1.8649237. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8649237. Acesso em: 28 maio. 2022.