As agonias do poema: a confusão de estilemas da arte moderna na poética de Murilo Mendes

  • Wesley Thales Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Murilo Mendes, Agôn, Desarticulação.

Resumo

Para manifestar as dualidades e os contrastes que marcam sua subjetividade e sua visão de mundo, Murilo Mendes realiza a sua poesia a partir de certos procedimentos e recursos configuradores de uma poética agônica. Ele faz vibrar na linguagem e na organização do verso o senso de tensão e de desarticulação que marca a experiência existencial e histórica em expressão no poema. Este texto aborda procedimentos artísticos recorrentemente empregados pelo poeta na realização dessa poética, bem como a relação entre esses recursos estilísticos e correntes da arte moderna: no que diz respeito ao verso, o complexo de cortes e justaposições a que ele é submetido, na linha de obras como a de Rimbaud; no plano da sonoridade e do ritmo, as dissonâncias, que lembram a música contrapontística e atonal do Dodecafonismo; e, quanto à imagem, a técnica da colagem oriunda do Surrealismo e o jogo contrastante entre elementos de realidades díspares que ela implica.

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Biografia do Autor

Wesley Thales, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Estudos Literários, pela Universidade Fderal de Minas Gerais (UFMG), com Tese sobre a poesia de Murilo Mendes. Mestre em Estudos Literários também pela UFMG, com estudo sobre a poesia de Ferreira Gullar. Professor de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG).

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Publicado
2019-06-28
Como Citar
Almeida Rocha, W. T. de. (2019). As agonias do poema: a confusão de estilemas da arte moderna na poética de Murilo Mendes. Remate De Males, 39(1), 337-362. https://doi.org/10.20396/remate.v39i1.8654002