Palhaços mortos, poetas e outros párias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v40i2.8659661

Palavras-chave:

Gonzaga Duque, Prosa, Poético

Resumo

O ensaio pretende analisar a publicação, na revista Kosmos (1907), de “Morte do palhaço”, de Gonzaga Duque. A escolha dessa publicação em específico (há, pelo menos, duas outras versões, em livros de 1914 e 1996) decorre de aspectos nela presentes considerados decisivos para alguns dos sentidos passíveis de discussão a partir do texto. Facilmente assimilável a uma interpretação metapoética que coloca em questão a arte como experimentação, “Morte do palhaço” parece demonstrar, ainda, certo imbricamento entre o que seria da ordem do prosaico e o que seria da ordem do poético, nesse momento histórico específico, com possibilidade de associação a questões teóricas mais recentemente propostas, que levariam à discussão da possibilidade de trânsito entre dois ideais de escrita (um ideal “alto” e um ideal “baixo”). Uma questão adicional diz respeito à estreita relação observável, na versão da Kosmos, entre o texto propriamente dito e algumas ilustrações de “Klixto” (Calixto Cordeiro), que o acompanham.

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Biografia do Autor

Francine Ricieri, Universidade Federal de São Paulo

Professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Departamento de Letras, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Campus Guarulhos, e no Programa de Pós-Graduação em Letras.

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Publicado

2020-12-02

Como Citar

RICIERI, F. Palhaços mortos, poetas e outros párias. Remate de Males, Campinas, SP, v. 40, n. 2, p. 723–750, 2020. DOI: 10.20396/remate.v40i2.8659661. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8659661. Acesso em: 8 mar. 2021.