O relato (ético) de um tradutor de Maurice Blanchot

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v41i2.8665578

Palavras-chave:

L’attente l’oubli, Tradução ética , Outro estrangeiro

Resumo

Neste artigo, com base em minha experiência de tradutor do escritor francês Maurice Blanchot, proponho algumas reflexões sobre a tradução enquanto ato ético, entendendo por ato ético o respeito pela diferença da língua do outro estrangeiro, o que significa não aclimatá-la à língua do tradutor, mas sim deixá-la abrir novos espaços sintáticos e semânticos em minha própria língua. Nesse percurso, além da análise da tradução de fragmentos escolhidos da narrativa L’attente l’oubli, de Blanchot, pretendo dialogar com três ideias essenciais, a meu ver, ao ato tradutório: a primeira, a ideia de Jacques Lacan sobre a letra como materialidade do significante; a segunda, a ideia de Antoine Berman sobre a ética na tradução; e, a terceira, a ideia do próprio Blanchot sobre a tradução enquanto diferença.  

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Biografia do Autor

Davi Andrade Pimentel, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pós-doutorando em Tradução do Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bolsista Faperj.

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Publicado

2021-12-30

Como Citar

PIMENTEL, D. A. O relato (ético) de um tradutor de Maurice Blanchot. Remate de Males, Campinas, SP, v. 41, n. 2, p. 502–522, 2021. DOI: 10.20396/remate.v41i2.8665578. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8665578. Acesso em: 23 maio. 2022.