Tempo circular, pululação e fracasso em “O jardim de veredas que se bifurcam”, de Jorge Luis Borges

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v42i1.8668413

Palavras-chave:

Jorge Luis Borges, Jardim de veredas que se bifurcam, Pululação

Resumo

O artigo pretende mostrar que, apesar de diferentes leituras de “O jardim de veredas que se bifurcam”, de Jorge Luis Borges, sempre mencionarem a importância do termo “pululação” – que ali aparece três vezes em um momento crucial da narrativa –, essa importância raras vezes é explicitada. Ao discutir de modo detido o trecho em que a palavra é usada reiteradamente, espera-se expandir a leitura a ela vinculada e já corrente da circularidade e da multiplicidade na obra. Espera-se ao mesmo tempo mostrar como essa expansão implica o fracasso (e não há nada de negativo aí) do próprio texto e de sua interpretação, bem como que essa ideia de fracasso já aparecia de forma disseminada nesse e nos outros dois contos de Borges (“A morte e a bússola” e “Aben Hakam, o Bokari, morto em seu labirinto”) que releem os três contos policiais de Edgar Allan Poe.

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Biografia do Autor

Adriano Schwartz, Universidade de São Paulo

Doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo. Professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e do Programa de Pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado

2022-08-03

Como Citar

SCHWARTZ, A. Tempo circular, pululação e fracasso em “O jardim de veredas que se bifurcam”, de Jorge Luis Borges. Remate de Males, Campinas, SP, v. 42, n. 1, p. 206–221, 2022. DOI: 10.20396/remate.v42i1.8668413. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8668413. Acesso em: 1 dez. 2022.