Civismo e questão nacional em debate no monumento à Revolución de Mayo (Buenos Aires, Argentina)

Palavras-chave: Pedagogia cívica, Monumentos, Espaço urbano, Identidade nacional.

Resumo

Desde que se tornou capital da Argentina, a cidade de Buenos Aires foi alvo de ações que transformaram seu espaço urbano buscando expressar a nação. A Plaza de Mayo foi envolvida nesse processo de articulação entre narrativas nacionalistas e estratégias de base simbólica, do final do século XIX até início do XX, quando se aproximava o centenário da independência. Na primeira década da virada, foi lançado um concurso para o monumento à Revolución de Mayo a ser colocado na praça, substituindo o anterior monumento pátrio. Do concurso emergiram propostas de intervenção no espaço da Plaza – evidenciando concepções sobre a nação, seus principais “heróis” ou protagonistas e uma leitura da História argentina bastante específica, que buscava consolidar na memória coletiva os eventos relacionados à Revolución. Atentaremos aqui às análises feitas na Revista Técnica sobre os projetos, para tangenciar embates em torno da cidade e da compreensão de monumentos como forma de pedagogia cívica.

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Biografia do Autor

Ana Carolina Oliveira Alves, Universidade Estadual de Campinas

Mestre e doutoranda da área de Política, memória e Cidade do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado
2019-06-18
Como Citar
Alves, A. C. O. (2019). Civismo e questão nacional em debate no monumento à Revolución de Mayo (Buenos Aires, Argentina). Resgate: Revista Interdisciplinar De Cultura, 27(1), 73-98. https://doi.org/10.20396/resgate.v27i1.8654906