A música popular como crítica da cultura política brasileira na era dos festivais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/resgate.v29i00.8665791

Palavras-chave:

Cultura e política, Canção, História das sensibilidades, Brasil - Anos 1960

Resumo

O texto discute a música popular como vetor da transformação das sensibilidades ao longo da década de 1960. Defende que a renovação estética, temática e comportamental ali observada colocava em xeque a cultura política brasileira de forte cariz autoritário. Vale-se de registros audiovisuais dos festivais, documentários que exploram a cultura daquela década e de livros que tratam das trajetórias de artistas que enfrentaram e sofreram as pressões do sistema ditatorial. Entre desbunde e protesto, muitos jovens artistas cantores, compositores e intérpretes abalaram as formas consagradas da arte musical no Brasil, seja pelo vigor de suas letras, pela ousadia de suas composições ou pela força do seu comportamento transgressor, que possibilitaria a crítica à cultura política nacional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcus Aurélio Taborda de Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em História e Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP - Brasil). Professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Coordenadora do Núcleo de Pesquisas sobre Educação dos Sentidos e das Sensibilidades.

Referências

ANSART, Pierre. A gestão das paixões políticas. Curitiba: Editora UFPR, 2019.

BRAGA, Rafael Giurumaglia Zincone. Parabolicamara: tropicália e a politização do cotidiano na TV. 2017. Dissertação (Mestrado em Mídia e Cotidiano) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2017.

BRAGHINI, Katya. Juventude e pensamento conservador no Brasil. São Paulo: EDUC; FAPESP, 2015.

CALADO, Carlos. Tropicália: a história de uma revolução musical. São Paulo: Editora 34, 1997.

CENTRO POPULAR DE CULTURA/UNE. Violão de Rua. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1962.

CORAL DE CURITIBA. A paixão segundo Cristino. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1984.

COUTINHO, Eduardo (Dir.). Cabra marcado para morrer. Documentário. 1h59min, 1984. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-64451984000200016

HOLANDA, Heloisa Buarque de. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde: 1960/1970. São Paulo: Brasiliense,1980.

LIMA, Danielle Barreto. O Comando de Caça aos Comunistas (CCC): do estudante ao terrorista (1963-1980). São Paulo: Edições 70, 2021.

MARTINO, Rodolfo Stipp. 1968: Atores de “Roda Viva” são agredidos e teatro é depredado. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 jul. 2018. Acervo Folha. Disponível em: https://acervofolha.blogfolha.uol.com.br/2018/07/18/1968-atores-de-roda-viva-sao-agredidos-e-teatro-e-depredado/. Acesso em: 20 maio 2021.

MELO, Zuza Homem de. A era dos festivais: uma parábola. São Paulo: Editora 34, 2003.

MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida Severina e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Culturas políticas na História: novos estudos. 2. ed. Belo Horizonte: Fino Traço, 2014.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Cultura política e ditadura: um debate teórico e historiográfico. Revista Tempo e Argumento, [S. l.], v. 10, n. 23, p. 109-137, 18 abr. 2018. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180310232018109. Acesso em: 12 fev. 2021. DOI: https://doi.org/10.5965/2175180310232018109

NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-1969). São Paulo: Annablume; Fapesp, 2010.

RICARDO, Sérgio. Quem quebrou meu violão. Rio de Janeiro: Record, 1991.

RIDENTTI, Marcelo. Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV. São Paulo; Rio de Janeiro: RECORD, 2000.

ROCHA, Janes. Os outubros de Taiguara. Um artista contra a ditadura: música, censura e exílio. São Paulo: Kuarup, 2014.

RODA VIVA. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento405843/roda-viva. Acesso em: 11 maio 2021.

SANTOS, Daniela Vieira dos. As representações de nação nas canções de Chico Buarque e Caetano Veloso: do nacional-popular à mundialização. 2014. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/281197/1/Santos_DanielaVieirados_D.pdf. Acesso em: 06 maio 2021.

SANTOS, Roberto (Dir.). A hora e a vez de Augusto Matraga. 1h33min, 1965.

SCHWARZ, Roberto. Verdade tropical: um percurso de nosso tempo. In: SCHWARZ, Roberto. Martinha versus Lucrécia. Ensaios e entrevistas. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 52-110.

SCHWARZ, Roberto. Nacional por subtração. In: SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 81-102.

TERRA, Renato; CALIL, Ricardo (Dir.). Uma noite em 67. Documentário. 1h25min, 2010

TERRA, Renato; CALIL, Ricardo (Dir.). Narciso em férias. Documentário. 1h23min, 2020.

VANDRÉ, Geraldo. Sem título. Rio de Janeiro: Arquivo TV Record, 1968. 1 vídeo (6min44). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0KGBS5TuDr4. Acesso em: 15 jan. 2021.

VELOSO, Caetano. Sem título. Rio de Janeiro: Arquivo TV Record, 1967. 1 vídeo (4min41). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qCcrGaTpUMM. Acesso em: 15 de jan. 2021.

VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Cia das Letras, 1997.

WILLIAMS, Raymond. La larga revolucion. Buenos Aires: Nueva Vision, 2003.

WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1979.

Downloads

Publicado

2021-12-30

Como Citar

OLIVEIRA, M. A. T. de . A música popular como crítica da cultura política brasileira na era dos festivais. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 29, n. 00, p. e021028, 2021. DOI: 10.20396/resgate.v29i00.8665791. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8665791. Acesso em: 13 ago. 2022.