Os estrangeirismos e os empréstimos no português falado em Moçambique

Autores

  • Alexandre Antonio Timbane Universidade Estadual Paulista

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v54i2.8636607

Palavras-chave:

Estrangeirismos. Empréstimos. Português Moçambicano.

Resumo

Este trabalho é uma reflexão sobre a situação do português em Moçambique, especialmente na questão de “variação e mudança linguística” que se processa através de estrangeirismos e empréstimos. O português convive com mais de vinte línguas bantu e duas asiáticas, o que permite contato entre elas. O português é língua oficial e não é materna para a maioria dos moçambicanos. Assim, pretendemos identificar e apresentar os estrangeirismos e empréstimos fenómeno que se verifica mais nos mídias. Descreveremos a integração dessas “novas” palavras no português moçambicano bem como o seu valor semântico. O corpus é composto por 27 cartas de opinião recolhidas no jornal “Notícias”, em 2010 e 2011, o qual foi inserido no programa Lexico-3. Da pesquisa, se concluiu que a maior parte dos empréstimos e estrangeirismos provém das línguas bantu bem como do inglês. A integração dessas palavras segue as regras gramaticais do português, havendo dificuldades em muitos casos, na transformação da ortografia das línguas bantu para português. Os estrangeirismos ainda são alvos de preconceito, principalmente no meio escolar mas as mudanças linguísticas são fenómenos naturais das línguas e ninguém os pode impedir de existir.

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Biografia do Autor

Alexandre Antonio Timbane, Universidade Estadual Paulista

Doutorando em Linguística e Língua Portuguesa na Universidade Estadual de São Paulo. Mestre em Linguística pela Universidade Eduardo Mondlane(Maputo/Moçambique). Licenciado em ensino de francês pela Universidade Pedagógica (Maputo/Moçambique).

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Publicado

2011-11-21

Como Citar

TIMBANE, A. A. Os estrangeirismos e os empréstimos no português falado em Moçambique. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 54, n. 2, p. 289–306, 2011. DOI: 10.20396/cel.v54i2.8636607. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8636607. Acesso em: 3 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos