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DA SENSIBILIDADE METADISCURSIVA À CONSCIÊNCIA METALINGUÍSTICA - O PROCESSO INTERATICO COMO ESPAÇO DE CONSTRUÇÃO DE SUJEITOS E DE LINGUAGEM
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FLÔRES, Onici Claro. DA SENSIBILIDADE METADISCURSIVA À CONSCIÊNCIA METALINGUÍSTICA - O PROCESSO INTERATICO COMO ESPAÇO DE CONSTRUÇÃO DE SUJEITOS E DE LINGUAGEM. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 26, p. 181–196, 2012. DOI: 10.20396/cel.v26i0.8636821. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8636821. Acesso em: 16 jun. 2024.

Resumo

Este estudo propôs-se a buscar caminhos alternativos e analisar as variáveis ligadas aos modos de produção do conhecimento linguístico, que possam fornecer intuições sobre a forma como a criança vai se assenhorando das funções e valores do objeto cultural escrita, em seu próprio meio cultural, através de textos típicos de atividades sociais comuns ao seu dia-a-dia: 1) estabelecendo um quadro de estratégias de comportamento frente à escrita que expresse sensibilididade metadiscursiva e/ou consciência metalinguística e (2) detectando diferenças entre as estratégias utilizadas por crianças de 5, 7 e 8 anos.

O instrumento utilizado no estudo foi um protocolo pragmático constituído de uma entrevista semi-estruturada composta de perguntas sobre as experiências anteriores dos sujeitos com a língua escrita (reconhecimento de portadores textuais) e sobre os julgamentos emitidos a respeito do porquê e para quê da utilização de dados de texto em dadas situações., isto é, sobre su afuncionalidade.

A hipótese que norteou a pesquisa é a de que a maior ou menor familiaridade com a escrita facilita e propicia a emergência gradativa da sensibilidade metadiscursiva e, posteriormente, da consciência metalinguística sobre os usos e valores sociais atribuídos ao texto escrito.

Quinze crianças participaram da pesquisa tendo cinco delas 5 anos, cinco 7 e cinco anos e frequentando, respectivamente, a Pré-Escola, 1ª e 2ª séries do I Grau. Os resultados demonstraram haver diferenças de modo de concepção entre os três grupos etários, tendo corroborado estudos anteriormente feitos.

https://doi.org/10.20396/cel.v26i0.8636821
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