FA D’AMBÔ: Língua crioula de Ano Bom

Autores

  • Gabriel Antunes Araujo Universidade de São Paulo
  • Ana Lívia dos Santos Agostinho Universidade de São Paulo
  • Alfredo Christofoletti Silveira Universidade de São Paulo
  • Shirley Freitas Universidade de São Paulo
  • Manuele Bandeira Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v55i2.8637289

Palavras-chave:

Fa d’ambô. Línguas Crioulas. Golfo da Guiné.

Resumo

O isolamento da ilha de Ano  Bom, na Guiné Equatorial, e as condições sócio-históricas de seu povoamento permitiram o surgimento de duas línguas: o fa d’ambô e a língua das cerimônias dos sangitan e das viuvas. Neste texto, apresentamos um panorama do fa d’ambô, crioulo de base lexical portuguesa falado na Ilha de Ano Bom, na Guiné Equatorial. Em seguida, mostramos que o fa d’ambô não é a única herança linguística portuguesa na Ilha de Ano Bom, uma vez que, até os dias atuais, os anobonenses preservam uma variante linguística empregada em cerimônias religiosas. Embora a colonização portuguesa na Ilha de Ano Bom tenha sido irregular, os fatos linguísticos e culturais, um representado pela línguas fa d’ambô e cerimonial e o outro representado pela cultura cristã, são provas inequívocas da relação destes elementos com o mundo português, de um lado e, de outro lado, da sobrevivência de características únicas da civilização portuguesa na Ilha de Ano Bom. Mostraremos que o estudo das línguas da Ilha de Ano Bom é uma oportunidade para aumentarmos a nossa compreensão sobre a gênese do protocrioulo do Golfo da Guiné, em particular, sobre as línguas crioulas, em geral, e sobre o mecanismo de preservação de variedades semicristalizadas.

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Biografia do Autor

Gabriel Antunes Araujo, Universidade de São Paulo

Atualmente é Professor Doutor na área de Filologia e Língua Portuguesa no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo.

Ana Lívia dos Santos Agostinho, Universidade de São Paulo

Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo. É professora do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina, atuando no curso de Graduação em Letras – Português.

Alfredo Christofoletti Silveira, Universidade de São Paulo

Mestre em Filologia e Língua Portuguesa pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas FFLCH/USP com a dissertação "Os ditongos no português vernacular de São Tomé e Príncipe" financiado pela FAPESP.

Shirley Freitas, Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

Manuele Bandeira, Universidade de São Paulo

Professora Adjunta da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

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Publicado

2013-12-19

Como Citar

ARAUJO, G. A.; AGOSTINHO, A. L. dos S.; SILVEIRA, A. C.; FREITAS, S.; BANDEIRA, M. FA D’AMBÔ: Língua crioula de Ano Bom. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, SP, v. 55, n. 2, p. 25-44, 2013. DOI: 10.20396/cel.v55i2.8637289. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8637289. Acesso em: 30 out. 2020.

Edição

Seção

Artigos