Expletivos nulos e construções de tópico/sujeito no português brasileiro

Autores

  • Mary Aizawa Kato IEL/Unicamp

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641469

Palavras-chave:

Expletivo nulo. Tópico sujeito. Redobro clítico

Resumo

Apesar de o  Português Brasileiro (PB) estar perdendo o sujeito nulo referencial desde o século passado, o expletivo nulo vem sendo mantido ( Æ chove muito nessas florestas) , apesar de línguas como o francês e o espanhol dominicano terem desenvolvido expletivos lexicais  ao lado de sujeitos pronominais referenciais. O que vem sendo notado, entretanto, é que o PB vem desenvolvendo construções pessoais com o sujeito lexical movido por alçamento (Essas florestas chovem muito), aos quais vimos chamando de tópico-sujeito. O presente trabalho descarta duas hipóteses anteriores  sobre a sobrevivência das construções com expletivo nulo e defende que as duas construções devem co-existir por não constituirem formas em competição  (“doublets”no sentido de Kroch ( 1994)) , sendo a primeira uma construção tética e a segunda uma construção categórica. Estas substituem outras construções categóricas mais antigas, de redobro clítico.

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Biografia do Autor

Mary Aizawa Kato, IEL/Unicamp

Possui graduação em Letras pela Universidade de São Paulo (1957), mestrado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo (1969), doutorado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1972). e pós-doutorado Fulbright na Universidade de Harvard. Outros pós-doutorados: na UCLA, na USC, na U. de Maryland e na NYU. Atualmente é professor titular aposentado - Universide Estadual de Campinas, onde é ainda professor colaborador voluntário.

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Publicado

2015-08-05

Como Citar

KATO, M. A. Expletivos nulos e construções de tópico/sujeito no português brasileiro. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 57, n. 1, p. 7–22, 2015. DOI: 10.20396/cel.v57i1.8641469. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8641469. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos