De clítico à concordância: o caso dos acusativos de terceira pessoa em português brasileiro

Autores

  • Jairo Morais Nunes USP/CNPq

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641472

Palavras-chave:

Clítico acusativo de terceira pessoa. Concordância. Português brasileiro

Resumo

Uma das propriedades sintáticas que mais caracteriza o português brasileiro (PB) é a perda dos clíticos acusativos de terceira pessoa o(s)/a(s) e seus alomorfes. Como amplamente documentado na literatura, em PB esses elementos estão associados a escolarização e registros formais de fala e escrita. Neste trabalho investigo o estatuto teórico desses elementos após serem “acrescentados” à gramática nuclear do PB via escolarização sintática. Como base em seu intrincado padrão de colocação, argumentarei que o(s)/a(s) não são incorporados como clíticos nos registros relevantes de PB, mas como marcas de concordância (de objeto).

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Biografia do Autor

Jairo Morais Nunes, USP/CNPq

Graduou-se em letras (Português) na PUCCAMP (1986) e obteve os títulos de mestre em lingüística pela UNICAMP (1990) e pela University of Maryland (1994), doutor em lingüística pela University of Maryland (1995), e livre-docente pela UNICAMP (2001). Além disso, fez estágios de pós-doutoramento na University of Southern California (1995), no Zentrum für Allgemeine Sprachwissenschaft, Typologie und Universalienforschung (1997), na University of Maryland (1998, 2005), na Utrecht University (2004) e na Universidad del País Vasco (2010, 2013). 

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Publicado

2015-08-05

Como Citar

NUNES, J. M. De clítico à concordância: o caso dos acusativos de terceira pessoa em português brasileiro. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 57, n. 1, p. 61–84, 2015. DOI: 10.20396/cel.v57i1.8641472. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8641472. Acesso em: 29 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos