Dona Ruth e Dona Dilma: reflexões sobre as marcas do discurso machista nos usos de um pronome de tratamento

Autores

  • Guilherme de Camargo Scalzilli Labjor - UNICAMP

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647157

Palavras-chave:

Análise do Discurso. Memória Discursiva. Machismo

Resumo

Este artigo pertence à linhagem de estudos que abordam as unidades vocabulares sob uma ótica discursiva. Através de instrumentos conceituais da Análise do Discurso de linha francesa, investigamos o uso do pronome dona em dois artigos opinativos de Carlos Heitor Cony publicados no jornal Folha de São Paulo. Mobilizando repertórios característicos de certa memória discursiva patriarcal, o tratamento dona produz efeitos de sentido opostos quando aplicado na referência a Ruth Cardoso e a Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, entretanto, essa discrepância revela pertencer às mesmas estruturas imaginárias que reproduzem e naturalizam socialmente o discurso machista.

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Biografia do Autor

Guilherme de Camargo Scalzilli, Labjor - UNICAMP

Historiador, mestre em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor/UNICAMP. Professor universitário. Autor de romances e volumes de contos e poemas. Colabora regularmente como articulista em diversos veículos de comunicação.

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Publicado

2016-09-05

Como Citar

SCALZILLI, G. de C. Dona Ruth e Dona Dilma: reflexões sobre as marcas do discurso machista nos usos de um pronome de tratamento. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, SP, v. 58, n. 2, p. 317-328, 2016. DOI: 10.20396/cel.v58i2.8647157. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8647157. Acesso em: 31 out. 2020.