As formas de tratamento no Teatro do Rio de Janeiro dos séculos XIX e XX

Autores

  • Ana Carolina Morito Machado Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i3.8651428

Palavras-chave:

Formas de tratamento. Tradições discursivas. Cortesia.

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar o comportamento das formas de tratamento ao interlocutor, que, nesta pesquisa, são consideradas Tradições Discursivas, na variedade do Rio de Janeiro no Português Brasileiro dos séculos XIX e XX. A distribuição dessas estratégias foi investigada em quatorze peças de teatro, à luz da teoria do Poder e da Solidariedade (Brown e Gilman, 2003[1960]). Os resultados apontam para uma predominância de tu até a primeira década do século XX e a preponderância absoluta da forma você, a partir da segunda década do século XX , especialmente nas relações simétricas solidárias e nas relações assimétricas ascendentes. Ressalta-se também o significativo emprego da forma nominal o(a) senhor(a), devido principalmente à presença de altos índices dessa forma nas relações simétricas não-solidárias e nas relações assimétricas ascendentes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Carolina Morito Machado, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro

Possui graduação em Letras: Português-Alemão (2004), Mestrado e Doutorado em Língua Portuguesa (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006, 2011). Atualmente é professoa do Intituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), campus Rio de Janeiro.

Referências

BARCIA, L. R. As formas de tratamento em cartas de leitores oitocentistas: peculiaridades do gênero e reflexos da mudança pronominal. Dissertação de Mestrado em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa). Rio de Janeiro: UFRJ, Faculdade de Letras, 2006, 142 fl. Mímeo.

BIDERMAN, M. T. C.. Formas de Tratamento e Estruturas Sociais. Alfa. São Paulo: FFCL de Marília, No 18/19, 1972. p.339-381.

BROWN, R.; GILMAN, A. The pronouns of power and solidarity. In: PAULSTON, C. B.; TUCKER, G. R. (Ed.). Sociolinguistics: The essencial readings. United Kingdom: Blackwell, 2003 [1960]. p. 156-176.

CINTRA, L. F. L. Sobre “formas de tratamento” na língua portuguesa. 2. ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1986. (Coleção Horizonte).

FARACO, C. A. O tratamento você em português: uma abordagem histórica. In: Fragmenta 13, Publicação do Curso de Pós-Graduação em Letras da UFPR. Curitiba, Editora da UFPR, 1996.

KABATEK, J. “Tradições discursivas e mudança linguística”, In: LOBO, T.; RIBEIRO, I.; CARNEIRO, Z.; ALMEIDA, N. (eds.). Para a história do português brasileiro: novos dados, novas análises. Salvador: EDUFBA, 2006.

KERBRATT-ORECCHIONI, C. Análise da conversação. Princípio classes e Métodos. São Paulo: Parábola Editorial, 2006

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

LOPES, C. R. dos S. et al.. História do Português Brasileiro: mudança das classes de palavras: perspectiva funcionalista. São Paulo: Contexto, 2018.

LOPES, C. R. dos S; COUTO, L. R.; DUARTE, M. E. L. Como as pessoas se tratam no cinema latino-americano: análise de formas de tratamento em roteiros de três países, Memórias - XIV Congresso Internacional da ALFAL. Monterrey : ALFAL, 2005. v.1.

LOPES, C. R. dos S; DUARTE, M. E. L. De ´Vossa Mercê´a ´você´: a análise pronominalização de nominais em peças brasileiras e portuguesas setecentistas e oitocentistas. In: BRANDÃO, S. F.; MOTA, M. A. (orgs.). Análise contrativa de variedades do português. Primeiros estudos. Rio de Janeiro, In-Fólio, 2003.

LOPES, C. R. dos S; MACHADO, A. C. M. Tradição e inovação: indícios do sincretismo entre segunda e terceira pessoas nas cartas dos avós. In: LOPES, Célia Regina dos Santos (org.). Norma brasileira em construção: fatos lingüísticos em cartas pessoais do século XIX. Rio de Janeiro: Pós-Graduação em Letras Vernáculas/FAPERJ, 2005, v. , p. 45-66.

LOREGIAN-PENKAL, L. (Re)análise da referência de segunda pessoa na fala da região sul. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Paraná. Curitiba 2004.

MACHADO, A. C. M.. A implementação de você no quadro pronominal: as estratégias de referência ao interlocutor em peças teatrais no século XX. Dissertação de Mestrado em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa. Faculdade de Letras/ UFRJ, Rio de Janeiro, 2006.

MENON, O. P. da S.; LOREGIAN-PENKAL, L. Variação no indivíduo e na comunidade: tu/você no sul do Brasil. In: VANDRESEN, P. (org.) Variação e mudança no Português falado da região sul. Pelotas, Educat, 2002.

PAREDES SILVA, V. L. O percurso da variação na referência à segunda pessoa no português carioca. Relatório final de pesquisa apresentado ao CNPq. Rio de Janeiro, UFRJ,1999. Mimeo. 35 p.

PAREDES SILVA, V. L. A distribuição dos pronomes de segunda pessoa do singular na fala carioca ao longo do século XX. II Congresso Nacional da Abralin (CD-rom), 2000.

PAREDES SILVA, V.L.. O retorno do pronome tu à fala carioca. In: RONCARATI, C.; ABRAÇADO, J. (orgs.). Português brasileiro — contato lingüístico, heterogeneidade e história. 1 ed. Rio de Janeiro: 7letras/FAPERJ, 2003, v. 1, p. 160-179.

ROBINSON, W. P. Linguagem e comportamento social. Trad. Jair Martins. São Paulo, Cultrix, 1977 [1972].

RUMEU, M. C. de B. Para uma história do português no Brasil: formas pronominais e nominais de tratamento em cartas setecentistas e oitocentistas. Dissertação de Mestrado em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa. Faculdade de Letras/ UFRJ, Rio de Janeiro, 2004.

RUMEU, M. C. de B. A implementação do ‘você’ no português brasileiro oitocentista e novecentista: um estudo de painel. Tese de Doutorado em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa. Faculdade de Letras/ UFRJ, Rio de Janeiro, 2008.

SALES, M. Pronomes de tratamento do interlocutor no português brasileiro: um estudo de pragmática histórica. 2001. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas/ USP, São Paulo, 2001.

SOTO, E. Variação/Mudança do pronome de tratamento alocutivo: uma análise enunciativa em cartas brasileiras. Tese de Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa, Araraquara, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, 2001.

WEINREICH, U., LABOV, W.; HERZOG, M. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança lingüística. Tradução de Marcos Bagno. Revisão Técnica de Carlos Alberto Faraco. Posfácio de Maria da Conceição e Maria Eugênia Lamoglia Duarte. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

As obras que compõem a amostra

ALENCAR, J. [1857] O demônio familiar. In: www.dominiopublico.com.br

AMARAL, M. A. de. (1995) Intensa Magia. Rio de Janeiro, SBAT. Mímeo.45 p.

ARAÚJO, A. (1980) Comunhão de bens. Rio de Janeiro, SBAT. Mímeo. 78 p.

BARBOSA, M. C.; FALABELLA, M. (2004 [2003]) Síndromes. In: ______. Querido Mundo e outras peças. Rio de Janeiro, Lacerda

BLOCH, P. Dona Xepa. (1973 [1952]) Rio de Janeiro: Serviço Nacional De Teatro (Coleção Dramaturgia Brasileira).

COELHO NETTO, H. M. (1957 [1908]) Quebranto. In: Revista de Teatro da SBAT. Rio de Janeiro, 1957 (nº 295).

FRANÇA JUNIOR, J.J. [1870] Amor com amor se paga. In: www.dominiopublico.com.br

FRANÇA JUNIOR, J.J. [1870] O defeito de família. In: www.dominiopublico.com.br

GILL, G. (1964 [1962]) Toda donzela tem um pai que é uma fera. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.

GONZAGA, A. (1937) O hóspede do quarto número 2. Rio de Janeiro, SBAT. Mímeo.

MACHADO DE ASSIS, J. [1896] Não Consultes Médico. In: www.dominiopublico.com.br

PENA, M. [1846] Os Ciúmes de um Pedestre. In: www.dominiopublico.com.br

ROCHA, A. O Genro Que Era Nora. (1979 [1972]) In: Revista de Teatro da SBAT. Rio de Janeiro.

TOJEIRO, G. (1966 [1918]) O Simpático Jeremias. In: Revista de Teatro da SBAT. Rio de Janeiro.

Downloads

Publicado

2018-11-22

Como Citar

MACHADO, A. C. M. As formas de tratamento no Teatro do Rio de Janeiro dos séculos XIX e XX. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 3, p. 647-668, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i3.8651428. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8651428. Acesso em: 30 out. 2020.

Edição

Seção

Artigos