Contribuicões da neurolinguística discursiva para a compreensão do sujeito e da linguagem na síndrome do x-frágil

Autores

  • Michelli Alessandra Silva Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i2.8653127

Palavras-chave:

Fala/leitura/escrita. Neurolinguística discursiva. Contradispositivos

Resumo

Partindo da crítica de Coudry ([1986] 1988) sobre testes-padrão apresento uma reflexão sobre o discurso científico veiculado em diferentes publicações (artigos científicos, textos em sites de associações e entidades relacionadas à patologia, bem como em textos publicados em sites de eventos e conferências) sobre a Síndrome do X-Frágil com o intuito de analisar como essa patologia é descrita pela área médica, especialmente em relação ao desenvolvimento da linguagem, bem como quais efeitos de poder/saber (FOUCAULT, 2001) são produzidos por esse discurso e suas implicações. Para me contrapor ao discurso determinístico da área médica, apresento dados do processo de aquisição e uso da fala, leitura e escrita de um sujeito portador da síndrome acompanhado longitudinalmente destacando – com base nos pressupostos da Neurolinguística Discursiva – seu trabalho linguístico-cognitivo e as marcas de sua subjetividade na linguagem. A discussão dos dados procura, ainda, identificar em suas dificuldades linguísticas aquilo que pode ser patológico, o que faz parte do processo normal de aquisição e uso da fala/leitura/escrita e o que pode estar relacionado a outros fatores, que podem ser de ordem social ou relativos a história de vida do sujeito.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Michelli Alessandra Silva, Universidade Estadual de Campinas

Doutora em Linguística pelo Departamento de Linguística, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Referências

AGAMBEN, G. O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Tradução de Vinícius N. Honesko. Chapecó, SC: Argos, 2009.

ANTONIO, G. D. R. Da sombra a luz: a patologização de crianças sem patologia. Dissertação Mestrado em Linguística - Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, 2011.

BENVENISTE, E. Problemas de Linguística Geral I. Tradução de Maria da Gloria Novak e Luiza Neri, São Paulo: Cia. Ed. Nacional e Ed. da USP, 1972.

BORDIN, S. M. S. Relatório do processo de inclusão no CCazinho (impresso), 2008.

BORDIN, S. M. S. Fala, leitura e escrita: encontro entre sujeitos. Tese Doutorado em Linguística - Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, 2010.

BRUM, E. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquepelago, 2006.

COUDRY, M. I. H. Diário de Narciso: discurso e afasia. Tese de Doutorado. Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP, 1986.

COUDRY, M. I. H. Diário de Narciso: discurso e afasia. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

COUDRY, M. I. H. O que é dado em Neurolinguística? O método e o dado no estudo da linguagem. Maria Fausta C. Pereira de Castro (org.). Campinas: Editora da UNICAMP, p.179-194, 1996.

COUDRY, M. I. H. Linguagem e Afasia: uma abordagem discursiva da Neurolinguística. Cadernos de Estudos Linguísticos, 42, p.99-129, Jan/Jun, 2002.

COUDRY, M. I. H. Patologia estabelecida e vivências com o escrito: o que será que dá? Trabalho apresentado no 7º Encontro Nacional sobre Aquisição da Linguagem (ENAL), 2006, publicado em CDROOM, Porto Alegre, 2007.

COUDRY, M. I. H. Despatologizar é preciso: a experiência do CCazinho. Anais do II Simpósio Mundial de Estudos de Lingua Portuguesa, Évora, p. 97-117, 2009.

COUDRY, M. I. H. Caminhos da Neurolinguística Discursiva: o velho e o novo. Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem. Campinas: Mercado de Letras, 2010a.

COUDRY, M. I. H. Relatório de Pesquisa do Projeto Integrado em Neurolinguística: avaliação e banco de dados (impresso), 2010b.

COUDRY, M. I. H; BORDIN, S. S. Afasia e Infância: registro do (in)esquecível. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 54 (1), p.135-154, 2012.

COUDRY, M. I. H.; FREIRE, F. M. P. Neurolinguística discursiva: teorização e prática clínica. Pressupostos teórico-clínicos da Neurolinguística Discursiva. Campinas: Mercado de Letras, 2010.

DARNEL, J. C. et al. Fragile X mental retardation protein mRNA targets harboring intramolecular G-quartets encode proteins related to synaptic function. Cell, 107, p.489-499, 2001.

FERREIRA, G. C.; LAMÔNICA, D. A. C. Caracterização da linguagem na síndrome do x-frágil: estudo bibliográfico. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 17, n. 1, jan-abr, 2005.

FOUCAULT, M. Le jeu de Michel Foucault. Dits et écrits III. Éditions Gallimard, 1994, p. 298 -329.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1999.

FOUCAULT, M. Os anormais: curso no Collège de France (1974-1975). Tradução de E. Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

FOUCAULT, M. O nascimento da clínica. Tradução de R. Machado. 5ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 2003.

FRANCHI, C. Criatividade e Gramática. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), São Paulo, 1991.

FRANCHI, C. Linguagem – Atividade Constitutiva. Cadernos de Estudos Linguísticos, 22, p. 9-39, [1977] 1992.

FREUD, S. A interpretação das afasias. Tradução de Ramón Alcalde. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1891.

FUNDAÇÃO BRASILEIRA DA SÍNDROME DO X-FRÁGIL. Disponível em: www.xfrafil.com.br. Acesso em Setembro de 2010.

HODAPP, R.M. et al. Developmental implications of changing trajectories of IQ in males with fragile X syndrome. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 29, p.214-219, 1990.

IRWIN, S. A. et al. Abnormal dendritic spine characteristics in the temporal and visual cortices of patients with fragile X syndrome. Am. J. Med. Genet., 98, p.161-167, 2001.

JAKOBSON, R. A afasia como um problema linguístico. Nova Perspectivas Lingüísticas. Miriam Lemle e Yonne Leite (orgs.). Petrópolis: Vozes, 1972.

JAKOBSON, R. Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1975.

LURIA, A R. Fundamentos de Neuropsicologia. São Paulo: EDUSP, 1981.

MOYSÉS, M. A. A.; COLLARES, C. A. L. Inteligência abstraída, crianças silenciadas: as avaliações de inteligência. Psicologia USP, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 63-89, 1997.

PRESTES, Z. R. Quando não é quase a mesma coisa: análise de traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil - repercussões no campo educacional. Tese de Doutorado. Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

REISS, A. L.; LEE, J.; FREUND, L. Neuroanatomy of fragile X syndrome: the temporal lobe. Neurology, 44, p.1317-1324, 1994.

SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 2 ed. Tradução de Antonio Chelini et al. São Paulo: Cultrix, 1978.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1987.

VYGOTSKY, L. S. Obras Escogidas. Tradução de Julio Guillermo Blank. Madrid: Visor, 1997 (Tradução espanhola dos originais russos de 1924 a 1934).

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1998 (Tradução inglesa dos originais russos de 1934).

VYGOTSKY, L. S. Psicologia Pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

YONAMINE, S. M.; SILVA, A. A. Características da comunicação em indivíduos com a Síndrome do X-Frágil. Arquivos de Neuropsiquiatria, 60(4), p.981-985, 2002.

Downloads

Publicado

2018-09-03

Como Citar

SILVA, M. A. Contribuicões da neurolinguística discursiva para a compreensão do sujeito e da linguagem na síndrome do x-frágil. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 2, p. 472–488, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i2.8653127. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8653127. Acesso em: 8 dez. 2021.

Edição

Seção

O funcionamento linguístico-cognitivo nas patologias