A produção textual escrita: junção e(m) aquisição

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i3.8653133

Palavras-chave:

Escrita. Tradição discursiva. Mecanismos de junção.

Resumo

Neste artigo, investigamos a constituição de tradições discursivas (TDs), na aquisição da escrita infantil, com base na ideia de que os mecanismos de junção do texto, em espaços determinados, são sintomáticos de TDs e vice-versa. Adotando um quadro teórico em que a descrição da escrita infantil é pautada na consideração conjunta de aspectos linguísticos e pragmático-discursivos, os resultados, alcançados a partir de uma análise de cunho qualitativo e quantitativo, mostram evidências de dois tipos de relações passíveis de serem estabelecidas entre esses mecanismos e as TDs focalizadas: (i) com as TDs narração, relato, argumentativa e explicativa, em que a repetibilidade dos espaços de junção preenchidos por mecanismos com acepção causal reafirma a hipótese que caracteriza o aspecto sintomático entre a TD que se constitui e a forma como os encadeamentos dessa natureza a constituem; e (ii) com as TDs cartão de Natal, injuntiva e pedido, em que o uso dos mecanismos de junção causal está relacionado à mescla de TDs, diretamente associada à parte do texto em que são inseridas TDs explicativas/argumentativas. Por isso, nessas TDs, a repetibilidade dos mecanismos de junção causal não pode ser o ponto de partida da análise, mas, sim, o seu papel pragmático-discursivo como matéria que constitui a composicionalidade da tradição textual.

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Biografia do Autor

Lúcia Regiane Lopes-Damasio, Universidade Estadual Paulista

Departamento de Linguística, área de Língua Portuguesa.

Patrícia Celene Senna da Silva, Instituto Federal de Mato Grosso

Mestrado em Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil (2016), docência do Instituto Federal de Mato Grosso, Brasil.

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Publicado

2018-11-22

Como Citar

LOPES-DAMASIO, L. R.; SILVA, P. C. S. da. A produção textual escrita: junção e(m) aquisição. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 3, p. 723–742, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i3.8653133. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8653133. Acesso em: 27 jan. 2023.

Edição

Seção

Artigos