Corpos ausentes

a arte como “alavanca” do luto negado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8665055

Palavras-chave:

Corpo, Luto, Político

Resumo

É possível pensar o corpo e a imagem, pela Análise de Discurso, como materialidades significantes. Assim, corpo e imagem são tomados igualmente a partir do tripé teórico que constitui a visada materialista discursiva: a linguística, a psicanálise e o materialismo histórico. Uma vez objeto discursivo, pensamos – corpo e imagem - não mais na transparência, mas na opacidade e na equivocidade que lhes são constitutivas. Neste trabalho, o conceito de imagem-corpo encontra o conceito de arquivo em um movimento pendular, entre o poético e o político. Corpo-imagem e arquivo são pensados aqui, como processos em com-posição. É, pois, considerando o processo criativo/discursivo do/no laço social, que propomos uma reflexão a respeito do funcionamento do Discurso Artístico, a partir de uma produção artística contemporânea tecida em meio à “ferida” de nosso tempo. A arte como presença/ausência no cenário sócio-histórico. A arte como “alavanca” de um luto negado. Nossa proposta é um gesto de leitura da performance “Marcha à Ré” produzida pela Cia. Teatro da Vertigem, Nuno Ramos e Eryk Rocha, na cidade de São Paulo em agosto de 2020.

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Biografia do Autor

Nadia Regia Maffi Neckel, Universidade do Sul de Santa Catarina

Doutora em Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Campinas. Professora na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

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Publicado

2021-12-13

Como Citar

NECKEL, N. R. M. . Corpos ausentes: a arte como “alavanca” do luto negado. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021043, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8665055. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665055. Acesso em: 21 jan. 2022.

Edição

Seção

Versões do luto: análise do discurso e psicanálise