A dimensão do horror no luto em "O que ficou para trás”

uma interpretação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8665212

Palavras-chave:

Luto , Psicanálise transcultural , Migração forçada

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar uma interpretação do filme O que ficou para trás (2020), do diretor Remi Weekes, partindo não apenas da narrativa, mas também do contexto cultural e de migração forçada dos personagens principais, Bol e Rial Majur. Nessa história dramática de perda e solicitação de refúgio, mobilizaremos a psicanálise transcultural (MORO, 2015, BINKOWSKI; BERRIEL, 2018) para nos voltarmos ao que entendemos como trabalho de luto a partir da língua-cultura dinka. Enquadrado no gênero horror, o filme nos apresenta não só a trajetória de Bol e Rial no novo país e o (não) acolhimento da Inglaterra, como também suas lutas internas com o que parece ter ficado para trás, como a tradução do título nos aponta, mas que os acompanha e se reapresenta durante toda a trama. Trabalhamos a dimensão do horror no luto via o Unheimlich freudiano e a dessubjetivação daqueles que, como Bol e Rial, arriscam-se a sobreviverem inscritos em novas dimensões de alteridade e de laço social.

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Biografia do Autor

Giulia Mendes Gambassi, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda no programa de Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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Publicado

2021-11-29

Como Citar

GAMBASSI, G. M. A dimensão do horror no luto em "O que ficou para trás”: uma interpretação . Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021039, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8665212. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665212. Acesso em: 21 jan. 2022.

Edição

Seção

Versões do luto: análise do discurso e psicanálise