Ói Nóis e Companhia do Latão: a coragem de morar com a sogra ou memória, convívio e resistência na experiência de grupos de teatro brasileiros

Palavras-chave: Memória. Teatro de Grupo. Resistência. Vínculo. Convívio.

Resumo

O presente artigo aborda os grupos de teatro como os genros de uma sogra nada indesejável, Mnemôsine, a deusa da memória, por isso, são núcleos importantes da memória do Teatro Brasileiro, restaurada e enriquecida constantemente. O conceito de memória é observado não apenas como a trajetória artística dos coletivos, mas como um saber adquirido que conserva as diversas experiências vivenciadas pelos membros de um grupo, seu conhecimento prático e sua maneira peculiar de fazer teatro. Além disso, a memória é tomada como uma força dinâmica, adquirida e aperfeiçoada essencialmente pelo convívio no grupo, em razão do caráter comunitário da construção dos saberes e cuja potência dependente da estabilidade da formação do coletivo articulada com estratégias de registros documentais que possam ser transmitidos às gerações subsequentes e aos novos participantes, de modo a manter vivos os princípios éticos, ideológicos e estéticos das grupalidades. As reflexões foram possíveis através da análise das trajetórias do Ói Nóis Aqui Traveiz e da Companhia do Latão. Para tanto foram entrevistados atuantes artistas dos dois grupos. Por fim, observa-se como os grupos em questão enfrentam as pressões econômicas e políticas que são forças que tentam desagregar e destruir as memórias dessas organizações.

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Biografia do Autor

Carlos Eduardo da Silva, Universidade Federal de Santa Catarina

Educador, ator, bonequeiro, iluminador e diretor teatral. Graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Doutorando em Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina.

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Publicado
2017-12-12
Como Citar
Silva, C. E. da. (2017). Ói Nóis e Companhia do Latão: a coragem de morar com a sogra ou memória, convívio e resistência na experiência de grupos de teatro brasileiros. Conceição|Conception, 6(2), 193-212. https://doi.org/10.20396/conce.v6i2.8648444