O androcentrismo do torcer

do Universo do Futebol ao estádio contemporâneo

Autores

Palavras-chave:

Futebol, Androcentrismo, Masculinidade

Resumo

Objetivos: problematizamos como os sujeitos torcedores dialogam com o quadro normativo que naturaliza o ambiente dos estádios de futebol como masculino e heteronormativo, a partir de como esses mesmos sujeitos identificam suas alteridades. Metodologia: realizamos diálogos com grupos de torcedores nos quais discutíamos a mudança de um antigo estádio para uma nova arena e a possível presença de violência verbal durante as partidas. Resultados e discussão: os torcedores acabavam naturalizando o gosto pelo esporte para justificar uma maior presença masculina nos estádios; outros pareciam um tanto mais sensibilizados com pautas feministas e condenavam suas próprias atitudes; à participação das mulheres é atribuída uma diferença natural; a maior presença das mulheres acaba sendo associada de forma direta a diminuição do machismo no futebol; homens não heterossexuais também são incluídos como a alteridade do “homem” torcedor; outra alteridade foi nomeada como família; incentivando a equipe, colaborando com o clube e performando “adequadamente”, os torcedores homossexuais estariam autorizados a torcer com os demais. Considerações Finais: Podemos visualizar a existência de um quadro normativo que destaca a relação entre futebol e masculinidade no Brasil. Ele já aparecia com destaque quando do lançamento do Universo do futebol, em 1982, e parece ainda atual. Se o androcentrismo era dado como natural no Universo do futebol aqui ele é um elemento no centro das lutas por significados em um contexto social mais amplo e, também, em tudo o que envolva a prática e a apreciação do futebol.

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Biografia do Autor

Gustavo Andrada Bandeira, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Técnico em Assuntos Educacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Fernando Seffner, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Pós-Doutorado pela Columbia University, Columbia, Estados Unidos.  Professor Titular da Faculdade de Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 

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Publicado

2022-07-14

Como Citar

Bandeira, G. A., & Seffner, F. (2022). O androcentrismo do torcer: do Universo do Futebol ao estádio contemporâneo. Conexões, 20(00), e022016. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/view/8668348

Edição

Seção

Dossiê 40 anos do livro Universo do Futebol