O conceito científico de progresso e objetividade e a sua crítica por Nietzsche

Peter Johann Mainka

Resumo


Na segunda metade do século XIX, as ciências que predominavam na Alemanha eram as ciências naturais sob a influência do Positivismo e as ciências históricas sob a influência do Historicismo. A base das suas ciências era o Objetivismo, que versava sobre a possibilidade de um conhecimento absoluto e objetivo da realidade. Ante estas tendências gerais da história da ciência no século XIX, a parte principal deste artigo apresenta a contribuição de Friedrich Nietzsche para essa discussão com base em sua Segunda Consideração Extemporânea de 1874, Sobre a utilidade e a desvantagem da história para a vida. - Nesse escrito, Nietzsche refletia, filosoficamente, como observador atento do seu tempo, sobre a história e historiografia, sempre estendendo as suas considerações às questões fundamentais da cultura e da educação, como das ciências em geral. O seu ponto de vista, portanto, ficava fora das ciências (históricas) e também acima delas. A base das suas reflexões era a vida presente e atual, o homem individual e ativo e a sua ação imediata. No âmago desses critérios, Nietzsche desenvolveu a sua crítica forte e radical das tendências culturais, educacionais e científicas do seu tempo. Quanto à teoria do conhecimento, Friedrich Nietzsche representa, com a sua crítica ao conhecimento absoluto e objetivo, uma ponte entre Immanuel Kant, no fim do século XVIII, e o início do século XX, quando o pensamento kantiano, que versava sobre a possibilidade de somente um conhecimento relativo, foi retomado por Max Weber e representantes famosos das ciências naturais, mas a crítica nietzschiana não tinha efeitos naquele tempo.


Palavras-chave


Nietzsche. Friedrich. História das ciências. Historiografia. Epistemologia. Século XIX

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DOI: https://doi.org/10.20396/rho.v13i53.8640190

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