A política educacional brasileira e as diretrizes do programa educação para todos: notas críticas

  • Deribaldo dos Santos Universidade Estadual do Ceará
  • Maria das Dores Mendes Segundo Universidade Estadual do Ceará
  • Maria Cleidiane Cavalcante Freitas Universidade Estadual do Ceará
  • Tayanna Vieira Lima Centro de Referência da Assistência Social
Palavras-chave: Educação para Todos. Educação para Todos. Crise estrutural do capital. Função social da escola

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar as influências das diretrizes do programa Educação para Todos (EPT), imposto pelos organismos internacionais como política educacional nos países periféricos, como o Brasil. Nestes termos, investigamos documentos e declarações impostas pelas agências multilaterais, em congressos, fóruns de EPT, a partir de 1990, para refletir a função social da educação e da escola, em meio a crise do capitalismo contemporâneo, entendida por IstvánMészáros, como de caráter estrutural. Tomando como base a perspectiva de formação omnilateral, prescrita por Karl Marx, compreendemos que as determinações e o monitoramento dos organismos internacionais por meio de políticas educacionais nos países pobres, atrelam ao ideário de uma Educação para Todos, porém se restringem à educação básica, como a única possível à classe trabalhadora, tornando-se, desse modo, uma estratégia ideológica e econômica do capital em crise estrutural.

 

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Biografia do Autor

Deribaldo dos Santos, Universidade Estadual do Ceará

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Universidade Estadual do Ceará (FECLESC /UECE). Professor do Curso de Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Estadual do Ceará (MAIE/PPGE/UECE). Pesquisador do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário da Universidade Estadual do Ceará (IMO/UECE).

Maria das Dores Mendes Segundo, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos da Universidade Estadual do Ceará (FAFIDAM/UECE). Professora do Curso de Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Estadual do Ceará (MAIE/PPGE/UECE). Pesquisadora do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário da Universidade Estadual do Ceará (IMO/UECE).

Maria Cleidiane Cavalcante Freitas, Universidade Estadual do Ceará

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Estadual do Ceará (PPGE/UECE). Bolsista da CAPES.

Tayanna Vieira Lima, Centro de Referência da Assistência Social

Pedagoga do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Especialização, em andamento, em Gestão Pública Municipal pela Universidade da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).

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Como Citar
Santos, D. dos, Segundo, M. das D. M., Freitas, M. C. C., & Lima, T. V. (1). A política educacional brasileira e as diretrizes do programa educação para todos: notas críticas. Revista HISTEDBR On-Line, 14(59), 152-165. https://doi.org/10.20396/rho.v14i59.8640353
Seção
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