A escola normal do Pará: o núncio legalista para formação de professores

Autores

  • Rogério Guimarães Malheiros Rede municipal de Parauapebas
  • Genylton Odilon Rêgo da Rocha ICED-UFPA

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v15i62.8640492

Palavras-chave:

Escola Normal do Pará. Formação de professores

Resumo

Este artigo tem por tema o processo de criação e consolidação da Escola Normal do Pará. Nosso objeto de pesquisa, portanto, são os discursos dos Presidentes da Província do Grão-Pará acerca da necessidade de se implantar, na capital da Província, cidade de Belém, uma Escola Normal destinada ao preparo específico de professores. Deste modo, nosso objetivo foi o de analisar os discursos dos Presidentes, de forma que pudéssemos depreender os objetivos destes para a implantação de uma Escola Normal, assim como as influências externas e internas, e, mais detidamente, a ambiência política e social em que fora constituído estes discursos em favor do “modelo” normalista de formação de professores. Como metodologia utilizamos a pesquisa documental a partir da análise do discurso, por meio da perspectiva de Mikhail Bakhtin, em especial o conceito de polifonia. Utilizamos como aporte teórico para a compreensão de nosso objeto a escola dos Annales, em especial, sua primeira e terceira gerações, relacionadas à compreensão das antíteses antigo/moderno, passado/presente e progresso/reação. Destarte, concluímos que a Escola Normal do Pará nasce de uma intricada questão de disputas políticas e ideológicas entre conservadores e liberais, e é possibilitada a partir de uma ambiência política e econômica.

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Biografia do Autor

Rogério Guimarães Malheiros, Rede municipal de Parauapebas

Professor da Rede municipal de ensino de Parauapebas/PA e da Rede Estadual de Ensino do Pará.

Genylton Odilon Rêgo da Rocha, ICED-UFPA

Professor Associado II da Universidade Federal do Pará

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Como Citar

MALHEIROS, R. G.; ROCHA, G. O. R. da. A escola normal do Pará: o núncio legalista para formação de professores. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 15, n. 62, p. 32–52, 2015. DOI: 10.20396/rho.v15i62.8640492. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640492. Acesso em: 29 nov. 2021.

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Artigos