A instrução programada proposta por Skinner e o uso de recursos audiovisuais na educação: considerações sobre a pedagogia tecnicista no Brasil

  • Evelyn Fernandes Faheina Universidade Federal da Paraíba
Palavras-chave: Pedagogia Tecnicista. Racionalização do Trabalho Pedagógico. Recursos Audiovisuais

Resumo

Este trabalho discute a tendência pedagógica tecnicista predominante no Brasil entre a segunda metade da década de 1960 e início de 1970. Seu objetivo é refletir a racionalização do trabalho pedagógico difundido por tal tendência, assim como, compreender as razões pela qual a pedagogia tecnicista invocou a utilização de recursos audiovisuais na educação, sobretudo a TV, procurando, desse modo, instaurar um projeto de modernização no país e adequação às transformações tecnológicas da época. Do ponto de vista teórico-metodológico, este trabalho está situado na esteira da teoria do Capital Humano de Theodore Schultz (1967), na teoria comportamental de Skinner (1972) e nos desdobramentos editoriais da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos dos anos 1966, 1967 e 1969, focadas na discussão do uso de recursos audiovisuais na educação. Tal abordagem permite a configuração de profícuo instrumento no entendimento da pedagogia tecnicista, cuja ênfase recai, por um lado, na racionalização do trabalho pedagógico, fundamentadas nos princípios da racionalidade, da eficiência e da produtividade e, por outro lado, no reconhecimento da eficiência dos meios pedagógicos, em particular, os recursos audiovisuais fomentados a partir da segunda metade da década de 1960.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Evelyn Fernandes Faheina, Universidade Federal da Paraíba
Pedagoga. Mestra e doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é professora substituta do componente curricular Sociologia da Educação, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Referências

ASSUNÇÃO, José Teixeira de. Pedagogia e produção para a TVE. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v. 52, n. 116. p. 278 – 283, out./dez., 1969

BECKER, Gretchen. TV Educativa: Balanço das realizações e perspectivas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 48, n. 108. p. 280 – 295, out./dez., 1967.

BRASIL. Lei no 5.540 de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, v. 7, 29 nov. 1968. Seção I, p. 10369.

BRASIL. Lei no 5.692 de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1o e 2o graus, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 ago. 1971. Seção I, p. 6377.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Federal de Educação. Parecer no. 77 de 11 de fevereiro de 1969. Regulamenta a implantação da Pós-Graduação no Brasil. Documenta, Brasília, DF, n. 98, p. 128-132, 1969.

BRASIL. Lei no 5.198 de 3 de janeiro de 1967. Cria, sob a forma de Fundação, o Centro Brasileiro de TV Educativa. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 jan. 1967. Seção I, p. 113.

BRASIL. Decreto-Lei no 236 de 28 de fevereiro de 1967. Complementa e modifica a Lei número 4.117 de 27 de agosto de 1962. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 fev. 1967. Seção I, p. 2432.

CAMBI, Franco. História da pedagogia. São Paulo: FEU, 1999.

FAHEINA, Evelyn Fernandes Azevedo. Um estudo sobre os modos de apropriação do cinema por educadoras na escolarização de jovens e adultos. 2012. 124 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012.

FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. São Paulo: Moraes, 1980.

GAL, Roger. Métodos ativos e recursos audiovisuais. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. XLVI, n. 104. p. 316 – 320, out./dez., 1966.

MIRANDA, Carlos Eduardo Albuquerque. O que estamos vendo?: um estudo sobre imagem e educação na era da reprodutividade técnica. 1996, 138f. Dissertação – Curso de Mestrado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Disponível em: http://cutter.unicamp.br/zeus/auth.php?back=http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls000111555&go=x&code=x&unit=x. Acesso em: 01 Ago. 2010.

PINTO, Lília Sampaio de Sousa. Lugar do professor na instrução programada. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 48, n. 108. p. 271 – 279, out./dez.,

ROMANELLI, Otaíza O. História da educação no Brasil (1930/1973). 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

SAVIANI, Demerval. História das idéias pedagógicas no Brasil. Campinas: autores associados, 2007.

SCHULTZ, Theodore W. O valor econômico da educação. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.

SCHULTZ, Theodore W. Theodore W. O capital Humano: Investimentos em Educação e Pesquisa. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973.

SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

SKINNER, Burrhus Frederic. Tecnologia do ensino. São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1972.

SOUSA, Judith Brito de Paiva e. Intercâmbio e cooperação numa política para a TVE no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 52, n. 116. p. 284 – 290, out./dez., 1969.

Publicado
2015-04-18
Como Citar
Faheina, E. F. (2015). A instrução programada proposta por Skinner e o uso de recursos audiovisuais na educação: considerações sobre a pedagogia tecnicista no Brasil. Revista HISTEDBR On-Line, 14(60), 273-283. https://doi.org/10.20396/rho.v14i60.8640560
Seção
Artigos