Banner Portal
Brinquedo, gênero e educação na brinquedoteca
PDF

Palavras-chave

Gênero. Brinquedo. Teorias pós-estruturalistas feministas. Brinquedoteca. Eqüidade no brincar

Como Citar

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Brinquedo, gênero e educação na brinquedoteca. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 19, n. 3, p. 209–223, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643463. Acesso em: 16 jun. 2024.

Resumo

Trata-se de uma pesquisa realizada com crianças de 2 a 10 anos de idade, freqüentadoras da Brinquedoteca da Faculdade de Educação da USP, de março de 2005 a março de 2006, tendo como objetivo o estabelecimento de relações entre brinquedo, gênero e educação. A pesquisa qualitativa, etnográfica, utiliza: diário de bordo, filmagens, transcrições de episódios de brincadeira e relatos. A partir da teoria pós-estruturalista feminista, que usa uma concepção de subjetividade precária, contraditória e constantemente se reconstituindo no discurso, propomos uma concepção de gênero performativa, instaurada pela performance repetida de atores sociais, para desenvolver a eqüidade no brincar de meninos e meninas. Os resultados indicam a difícil tarefa de eliminar os preconceitos de gênero, que dependem de fatores externos à Brinquedoteca, mas há indícios de mudança, reforçando a crença de que é possível adotar uma política de valorização de eqüidade no brincar infantil, estimulando meninos e meninas a brincarem juntos.

Abstract:

This text is about a research project carried out with children ranging from age 2 to 10, at the Education College Toy Library at the University of São Paulo from March 2005 to March 2006, with the objective of establishing relations between toys, gender and education. The qualitative and ethnographic research includes a logbook, video recordings, transcriptions of episodes in which children are playing and personal stories. Drawing on the post-structural feminist theory, based on a conception of subjectivity as precarious, contradictory and constantly reconstructed in discourse, the author suggests a concept of gender based on the performance of social actors as a means to develop equity in playing for both boys and girls. The results show the difficult task of eliminating gender preconceptions, which depends on factors that are external to the Toy Library environment. They also reveal the evidence of changes, strengthening the belief that it is possible do adopt a policy that stimulates equity in childhood playing, encouraging boys and girls to play together.

Key words: Gender. Toys. Tost-structural feminist theories. Toy library. Equity in playing

PDF

Referências

ALMQVIST, B. Approaching the culture of toys in Swedish Child Care. A literature survey and a toy inventory. Uppsala: Uppsala University, 1994.

AZEVEDO, T. M. C. Brinquedos e gênero na educação infantil - um estudo do tipo etnográfico no estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Psicologia e Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2000.

BROUGÈRE, G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995.

______. Brinquedos e companhia. São Paulo: Cortez, 2004.

______. G. Les experiences ludiques des filles et des garçons. In: LEMEL, Y.; ROUDET, B. (coords.) Filles et garçons jusqu´à l´adolescence. Socialisations différentielles. Paris: L ´Harmattan, 1999, p. 199- 222.

CALDAS-COULTHARD, C.R.;VAN LEEUWEN, T. Revista Linguagem em (Dis)curso, v. 4, número especial, 2004.

CARVALHO, A. et al. Brincadeiras de meninos e brincadeiras de meninas. Psicologia, Ciência e Profissão, v.13, n.1-4, 1993, p.30-33.

CARVALHO, M. P. No coração da sala de aula. Gênero e trabalho docente nas séries iniciais. São Paulo: Xamã, 1999.

DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (eds.) Collecting and interpreting qualitative materials. London: Sage Publications, 1998a.

______. Handbook of qualitativeresearch. London: Sage Publications, Inc., 2000.

______. The landscape of qualitative research. Theories and issues. London: Sage Publications, 1998b.

FABER, R. A.; MARTIN, C. L. ; HANISH, L. D. Young children´s play qualities in same – other- , and mixed-sex peer groups. Child Development, v. 74, n.3, pp. 921-932. May/June, 2003.

FALKSTRÖM, M. Action man doesn’t have a wife. I haven’t seen it on telly anyway: 6-8 years old about their toys from a gender perspective. In: NELSON, A.; BERG, L.; SVENSSON, K.

Toys as communication. EUA: Sitrec, 2003. p. 263-274.

FARIA, A.L.G.; DEMARTINI,Z.B.F.; PRADO,P.D. (orgs). Por uma cultura da infância. Metodologias de pesquisa com crianças. Campinas, SP: Autores Associados, 2002.

FINCO, D. Relações de gênero nas brincadeiras de meninos e meninas na educação infantil. Pro-Posições. Campinas: Unicamp, v.14, n.3 (42) set/dez. 2003.

FRANCIS, B. Power Plays: children´s constructions of gender and power in role plays. Gender and Education. V. 9, n. 2, June, 1997, p. 179-192.

GÓMEZ, G. R. et al. Metodologia de la investigación cualitativa. Ediciones Aljibe, 1996.

GUIONNET, C., NEVEU, E. Féminins/masculins. Sociologie du genre. Paris: Armand Colin, 2005.

JACKSON, S. and GEE, S. “Look Janet”, “No you look John”; constructions of gender in early school reader illustrations across 50 years. Gender and Education. v. 17, n. 2, p. 115-128, May 2005.

JENVEY, V., B. Australian children´s toy and play preferences 1989-1995: age, gender, and contextual influences. In: BERG, L.; NELSON, A., SVENSSON, K. (Eds.) Toys in educational and socio-cultural contexts. Toy research in the late twentieth century. Part 1. Stockolm: Stockohlm International Toy Research Centre, 2003.

JONES, A. Teaching post-struturalist feminist theory in education: student resistances. Gender and Education. v. 9, n. 3, p. 261-270, September, 1997.

KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2001.

LITOSSELETI, L.; SUNDERLAND, J.(edsEd.) Gender identity and discourse analysis. Amsterdan: John Benjamins, 2002. p. 91-110.

LOURO, G.L. Gênero, sexualidade e educação. Uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997.

MACNAUGHTON, G. Feminist praxis and the gaze in the early childhood curriculum. Gender and Education. v.9, n.3, p.317-326, September, 1997.

_____. Rethinking gender in early childhood education. London: Paul Chapman Publishing Ltd, 2000.

MESSNER, M. A. Barbie girl versus sea monsters. Gender & Society, v. 14, n. 6, p.765-784, 2000.

MIDDLETON, S. Doing feminist educational theory: a post-modernist perspective. Gender and Education. v. 7, n. 1, p. 87-100, March 1995.

NELSON, K.; SEIDMAN, S. El desarollo del conocimiento social: jugando com guiones In: TURIEL,E.;ENESCO,I.;LINAZA,L.(Comp.) El mundo social en la mente infantil. Madrid: Alianza Editorial,1989. p.155-180.

ONO, A. T. Relatório de pesquisa: brinquedo e gênero. (Iniciação Científica), São Paulo: FEUSP, 2006.

RODRIGUEZ, M. C.; PEÑA. J. V.; FERNANDEZ, C. M. Gender discourse about an ethic of care: nursery schoolteachers´perspectivs. Gender and Education. v. 18, n. 2, p. 183-98, March, 2006.

SAGER, F. ; SPERB, T. M. O brincar e os brinquedos nos conflitos entre crianças. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 11 n. 2, p.309-326, Porto Alegre, 1998.

SCOTT, J. W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre, v. 20, n. 2, p.71-99, jul./dez. 1995.

SUTTON-SMITH, B. The spirit of play. FEIN, G., RIVKIN,M. (Org.). Review of research, v. 4, p. 3-15, 1986.

VIANNA, C. P. Políticas públicas de educação: cidadania, diferenças e relações de gênero. Brasília: CNE/UNESCO, 2004.

Proposições utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.

Downloads

Não há dados estatísticos.