Enunciar é argumentar

analisando um episódio de uma aula de História com base em Bakhtin

Autores

  • Cecilia Goulart Universidade Federal Fluminense

Palavras-chave:

Discurso, Linguagens sociais, Aula de história, Bakhtin, Argumentação

Resumo

O objetivo desse artigo é discutir o pressuposto de que, com base na teoria da enunciação de Bakhtin, enunciar é argumentar. A argumentação é inerente ao princípio dialógico dos enunciados, considerando que todo enunciado é dirigido a alguém, na cadeia enunciativa infinita. Enunciar é agir sobre os outros, o que significa que vai além de compreender e responder enunciados. Esse interesse relaciona-se com uma questão que permanentemente enfrentamos na escola: a dificuldade que alunos têm de compreender e elaborar o discurso verbal, especialmente em registros mais formais, em áreas do conhecimento que se distanciam do cotidiano. Uma categoria relevante para nossa discussão é a de linguagens sociais, considerando que as diferenças entre elas se dão no plano de diferentes textualidades, isto é, de diferentes modos de argumentar. Analisamos, no artigo, interações discursivas ocorridas na parte inicial de uma aula de História, numa turma de 5ª série.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cecilia Goulart, Universidade Federal Fluminense

Doutorado em Letras (Linguística Aplicada) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professora Associada da Universidade Federal Fluminense.

Referências

BAKHTIN, Mikhail (V. N. Volochínov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. 4.ed. Tradução Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 1988, 203 p.

BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e de estética. A teoria do romance. Tradução do russo por Aurora Bernadini, José Pereira Júnior, Augusto Góes Júnior, Helena Nazário e Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Hucitec: UNESP, 1998, 439 p.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução do francês por Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1992, 469 p.

BRAIT, B. As vozes bakhtinianas e o diálogo inconcluso. BARROS, D. L. P. de; FIORIN, J. L. (Orgs.) Dialogia, polifonia, intertextualidade. SP: EDUSP, p. 11-37, 1999.

CHARTIER, Roger. Formas e sentido. Cultura escrita: entre distinção e apropriação. Tradução de Maria de Lourdes Meirelles Matencio. Campinas, SP: Mercado de Letras; ALB, 2003.

CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria&Educação, Porto Alegre, n.2, 1990.

CHEVALLARD, Yves; JOSHUA, M. A. La Transposicion didactique. Du savoir savant au savoir enseigné. Suivie de un exemple de la transposition didactique. Postface (s/d).

FIORIN, José Luiz. Teorias do discurso e ensino da leitura e da redação. Gragoatá, Niterói, n.2, p.7-27, 1. semestre, 1997.

GOODSON, Ivor. Tornando-se uma matéria acadêmica: padrões de explicação e evolução. Teoria e Educação 2, Porto Alegre: Pannonica Editora, 1990.

GOULART, C. M. A. Argumentação a partir dos estudos de Bakhtin: em busca de evidências teóricas e balizadores para a análise de interações discursivas em sala de aula. Trabalho apresentado no GT Argumentação e Explicação, Simpósio Nacional da ANPEPP, Vitória, ES, 2004.

MARTINAND, Jean-Louis. Connaître et transformer la matière. Berna: Peter Lang, 1986.

MORRISON, Ken. Estabelecendo o texto: a institucionalização do conhecimento por meio das formas históricas e filosóficas de argumentação. In: BOTTÉRO, J. et al. Cultura, Pensamento e Escrita. São Paulo: Ática, 1995, p.141-200.

OLSON, David. What writing does to the mind? In: AMSEL, E.; BYRNES, J. P. (Eds.) Language, literacy and cognitive development: The development and consequences of symbolic communication. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2002, p.153-165.

ROCHA, Helenice A. B. O lugar da linguagem no ensino de história: entre a oralidade e a escrita. 2006. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ.

WEINRICH, Harald. Tempus: Besprochene und Erzählte Welt. Stuttgart: Ernst Klerr, 1964. (Tradução do espanhol, Madrid, Gredos, 1968).

Downloads

Publicado

2016-02-19

Como Citar

GOULART, C. Enunciar é argumentar: analisando um episódio de uma aula de História com base em Bakhtin. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 18, n. 3, p. 93–107, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643530. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê