O homeschooling e a crítica à escola: hibridismos e (des)continuidades educativas

Autores

  • Álvaro Manuel Chaves Ribeiro Universidade do Minho
  • José Palhares Universidade do Minho

Palavras-chave:

Ensino doméstico. Aprendizagens (não-formais e informais). Educação familiar. Dinâmicas de escolarização. Subjetividades.

Resumo

Desde os anos 1960, o homeschooling apresenta dinâmicas de crescimento atualizadas nos diagnósticos da crise do capitalismo e dos sistemas educativos. Por ser praticado por famílias próximas do progressismo libertário, do cristianismo conservador ou de outras inspirações axiológicas, a abordagem investigativa presente neste texto pressupôs romper com uma visão unívoca e alheia à sua diversidade e aos diferentes graus de (in)formalidade dos quotidianos educativos de crianças e de jovens que caracterizam este fenómeno educativo. Procura-se captar as especificidades do ensino doméstico (ED) em Portugal e a sua crescente expressão social e educacional e reflete-se sobre os sentidos das aprendizagens que ele encerra. Conclui-se que o ED parece ser contrário aos horizontes formativos da criança segundo o interesse da sociedade, sendo omisso sobre o seu papel na emancipação dos sujeitos. Confrontam-se a escola e o seu modo de funcionamento a partir do racional do ED, à procura de novas epistemologias e de novas linhas de pesquisa.

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Biografia do Autor

Álvaro Manuel Chaves Ribeiro, Universidade do Minho

Universidade do Minho, Braga, Portugal.

José Palhares, Universidade do Minho

Universidade do Minho, Braga, Portugal.

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Publicado

2017-09-11

Como Citar

RIBEIRO, Álvaro M. C.; PALHARES, J. O homeschooling e a crítica à escola: hibridismos e (des)continuidades educativas. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 28, n. 2, p. 57–84, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8650305. Acesso em: 9 dez. 2021.

Edição

Seção

Dossiê