Geontologia e as artes neoliberais de governo

educar os corpos para além do imaginário do carbono

Palavras-chave: Geontologia, Neoliberalismo, Governo da vida, Corpos em fluxo

Resumo

Inspirado na obra Geontologies: a requiem to late liberalism, de Elizabeth Povinelli, este texto problematiza as atuais condições do governamento neoliberal expandindo o conceito foucaultiano de biopolítica. Procura mais amplamente repensar os processos educativos nas margens da biontologia desdobrada pela entrada no Antropoceno, a fim de desabilitar o chamado “imaginário do carbono”. Trata-se de ensaio especulativo organizado em dois eixos que articulam noções foucaultianas, tematizando as condições pelas quais certas populações e certos corpos sofrem pela exposição diferencial a injustiças, violência e morte. Em seguida, discute-se a possibilidade de ativar outros modos de vida capazes de resistir no contexto das economias do abandono e das políticas queer de migração. Ao final, busca-se evidenciar algumas razões pelas quais o campo pedagógico inflacionou a questão da educação como empreendimento-de-si e deflacionou a preocupação com o cuidado-de-si e dos outros, defendendo uma abertura para outras figuras e sujeitos da educação como parte de uma crítica potente aos excessos provocados pelo imaginário do carbono em nossos sistemas de pensamento.

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Biografia do Autor

Alexandre Simão de Freitas, Universidade Federal de Pernambuco

Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Administração e Planejamento Educacional.

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Publicado
2019-05-09
Como Citar
Freitas, A. S. de. (2019). Geontologia e as artes neoliberais de governo. Pro-Posições, 30, 1-21. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8656732
Seção
Artigos