Relações intergeracionais no mercado brasileiro de formação docente

antigos e novos desafios a considerar

Autores

Palavras-chave:

Formação de professores, Relações intergeracionais, Práticas docentes, Mercado simbólico, Profissionalização docente

Resumo

Este artigo, baseado em revisão de literatura, focaliza o caso brasileiro da formação docente, destacando limites que se impõem para o reconhecimento de sua dimensão iniciática e do potencial formativo das relações intergeracionais estabelecidas no magistério. A formação de professores é assumida como um espaço concorrencial marcado por lutas simbólicas que, conforme perspectiva bourdieusiana, permitem a transfiguração de certas relações de dominação presentes no campo educacional. Considera-se que as relações intergeracionais docentes alcançam reduzido valor em tal mercado simbólico, sobretudo em função do processo histórico de desvalorização das práticas docentes e do lugar de pouco poder que os professores brasileiros ocupam nesse espaço concorrencial. Essa fragilização simbólica dos professores se intensificou nas últimas décadas, com a emergência de uma perspectiva gerencialista de formação docente, que tem provocado uma degeneração dos processos de profissionalização do magistério. Tal contexto impõe novos desafios nos planos epistemológico, político e cultural para a produção de um modelo profissional de formação docente no qual os professores da escola ocupem lugar mais ativo na formação das novas gerações docentes. O enfrentamento desses desafios demanda, entre outras ações, o resgate do movimento de profissionalização dos professores, para o qual a universidade pode desempenhar relevante papel.

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Biografia do Autor

Flavia Medeiros Sarti, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo. Professora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

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Publicado

2021-08-30

Como Citar

SARTI, F. M. Relações intergeracionais no mercado brasileiro de formação docente: antigos e novos desafios a considerar. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 32, p. e20180082, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8666749. Acesso em: 25 out. 2021.