Mobilidade estudantil de universitários oriundos do ensino médio público

experiências com o programa ciência sem fronteiras

Autores

Palavras-chave:

Mobilidade acadêmica, Escola pública, Grupos de discussão, Método documentário

Resumo

A internacionalização da educação superior é uma marca das universidades no mundo contemporâneo. Nesse processo, programas voltados à mobilidade acadêmica recebem centralidade, representando a faceta mais visível da internacionalização. O presente artigo analisa a mobilidade acadêmica de estudantes oriundos do ensino médio público no âmbito do programa Ciência sem Fronteiras, trazendo para a discussão o acesso ao programa, a experiência internacional e os projetos de futuro. A pesquisa foi conduzida em uma universidade pública da Região Centro-Oeste e consistiu na aplicação de dois surveys e na realização de grupos de discussão que foram analisados à luz do Método Documentário. Com base nos resultados, identificamos que a origem social e o capital escolar são dimensões que podem dificultar ou privar o acesso de estudantes de classes menos favorecidas em programas de mobilidade estudantil. Quando as barreiras são rompidas, as contribuições da experiência internacional ultrapassam os ganhos acadêmicos, possibilitando a abertura para novos projetos de futuro, tanto no campo pessoal quanto profissional.

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Biografia do Autor

Wivian Weller, Universidade de Brasília

Professor Associado em Educação pela Universidade de Brasília – UNB.

Jéssica Reis, Universidade de Brasília

Mestre em Educação pela Universidade de Brasília – UNB.

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Publicado

2022-07-18

Como Citar

WELLER, W. .; REIS, J. . Mobilidade estudantil de universitários oriundos do ensino médio público: experiências com o programa ciência sem fronteiras. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 33, p. e20210062, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8670529. Acesso em: 2 dez. 2022.