Resumo
Esta pesquisa investiga o antipartidarismo entre os jovens, ou seja, a rejeição deles aos partidos políticos. Para tanto, sistematizam-se as respostas de jovens de 16 a 29 anos referentes à avaliação dos partidos políticos e das instituições democráticas, conforme dados do banco ESEB (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022). Mostra-se no trabalho que a rejeição aos partidos é diferente entre os jovens estudantes, quando comparado aos jovens solteiros (que já trabalham) e o que chamamos de jovens adultos (trabalham e tem núcleo familiar próprio), classificados conforme a dinâmica da produção de suas vidas (inserção no trabalho) e reprodução (formação de núcleo familiar). Esse fato se explicaria pela aproximação dos jovens adultos com o mundo adultocêntrico com seus padrões (política institucionalizada) e facilidades (como a militância dentro de partidos). Os resultados também evidenciaram que o adultocentrismo e o antipartidarismo reativo são elementos centrais para compreender a rejeição dos jovens aos partidos.
Referências
Almond, G. A., & Verba, S. (2015). The Civic Culture: Political Attitudes and Democracy in Five Nations Princeton University Press.
Araújo, R. de O., Barros, R. F., & Perez, O. C. (2022). Jovens e opinião sobre política: Semelhanças e diferenças entre as juventudes de direita e de esquerda no Brasil. Studia Politicae, 57, 41–57. https://doi.org/dx.doi.org/10.22529/sp.2022.57.03
Araújo, R. de O., & Perez, O. C. (2021). Antipartidarismo entre as juventudes no Brasil, Chile e Colômbia. Estudos de Sociologia, 26(50), 327-349. https://doi.org/10.52780/res.14764
Araújo, R. de O., & Perez, O. C. (2023). Juventudes e Marcadores Sociais da Diferença nos Planos Estaduais de Juventude do Brasil. Revista Iberoamericana, XXII(82), 81-96. https://doi.org/10.18441/ibam.23.2023.82.81-95
Baquero, M., & Linhares, B. de F. (2011). Por que os brasileiros não confiam nos partidos? Bases para compreender a cultura política (anti)partidária e possíveis saídas. Revista Debates, 5(1), 89. https://doi.org/10.22456/1982-5269.20058
Baquero, M., & Vasconcelos, C. de. (2013). Crise de representação política, o surgimento da antipolítica e os movimentos apartidarismo no Brasil. Anais do V Congresso da Compolítica.p.1–21. http://www.compolitica.org/home/wp-content/uploads/2013/05/GT06-Cultura-politica-comportamento-e-opiniao-publica-MarcelloBaquero.pdf
Brasil. (2013). Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de Juventude - SINAJUVE. Diário Oficial da União https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12852.htm
Cavalcante, E. B. T. (2021). O conceito de adultocentrismo na história: Diálogos interdisciplinares. Fronteiras, 23(42), 196–215. https://doi.org/10.30612/frh.v23i42.15814
CESOP. Centro de estudos de opinião pública (2023). https://www.cesop.unicamp.br/por/eseb/ondas/11
Fuks, M., Borba, J., & Ribeiro, E. A. (2018). Polarização, antipartidarismo e tolerância política no Brasil. Anais eletrônicos do 42.º Encontro Anual da Anpocs. http://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui/handle/bdtse/9161
Groppo, L. A. (2017). Introdução à Sociologia da Juventude Paco Editorial. https://www.unifal-mg.edu.br/ocupacoessecundaristas/wp-content/uploads/sites/207/2021/08/28-GROPPO-Introducao-a-sociologia-da-juventude.pdf
Groppo, L. A., Tomizaki, K. A., Corrochano, M. C., Borges, L., Ginzel, F., & Biliatto, C. (2023). “Um ato de liberdade”: Movimento de estudantes secundaristas em São Paulo, 2015. Pro-Posições, 34, 1-28. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2021-0101
Melucci, A. (1994). Juventude, tempo e movimento sociais. Revista Brasileira de Educação, 6(5), 05-14.
Miguel, L. F., & Coutinho, A. de A. (2007). A crise e suas fronteiras: Oito meses de “mensalão” nos editoriais dos jornais. Opinião Pública, 13, 97–123. https://doi.org/10.1590/S0104-62762007000100004
0104-62762007000100004Morais, J. A. de, & Baquero, M. (2018). A internet e a (des)politização dos jovens brasileiros. Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais, 25, 33-62.
Okado, L. T. A., & Ribeiro, E. A. (2015). Condição juvenil e a participação política no Brasil. Paraná Eleitoral: revista brasileira de direito eleitoral e ciência política, 4(1), 53-78. https://doi.org/10.5380/pr_eleitoral.v4i1.42810
Paiva, D., Krause, S., & Lameirão, A. P. (2017). O eleitor antipetista: Partidarismo e avaliação retrospectiva. Opinião Pública, 22, 638–674. https://doi.org/10.1590/1807-01912016223638
Pais, J. M. (1990). A construção sociológica da juventude. Alguns contributos. Análise Social, 25(105/106), 139-165.
Perez, O. C. (2020). Relações entre coletivos com as Jornadas de Junho. Opinião Pública, 25, 577–596. https://doi.org/10.1590/1807-01912019253577
Perez, O. C. (2021). Sistematização crítica das interpretações acadêmicas brasileiras sobre as Jornadas de Junho de 2013. Revista Izquierdas, 50, 52.
Perez, O. C., & Souza, B. M. (2020). Coletivos universitários e o discurso de afastamento da política parlamentar. Educação e Pesquisa, 46, e217820. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202046217820
Pinhoni, M. (2022). Brasil tem a eleição mais apertada para presidente desde a redemocratização G1. https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/eleicao-em-numeros/noticia/2022/10/30/brasil-tem-a-eleicao-mais-apertada-para-presidente-desde-a-redemocratizacao.ghtml
Poguntke, T. (1996). Anti-party sentiment - Conceptual thoughts and empirical evidence: Explorations into a minefield. European Journal of Political Research, 29(3), 319-344. https://doi.org/10.1111/j.1475-6765.1996.tb00655.x
Ramirez, L. G. (2016). Dinâmicas transnacionais em tempos de Internet: Jovens, mobilização e apropriação do Facebook na Colômbia e no Brasil. Desidades, 12, 8-16.
Samuels, D. J., & Zucco, C. (2018). Partisans, Antipartisans, and Nonpartisans: Voting Behavior in Brazil Cambridge University Press. https://doi.org/10.1017/9781108553742
Shanahan, M. J. (2000). Pathways to Adulthood in Changing Societies: Variability and Mechanisms in Life Course Perspective. Annual Review of Sociology, 26(1), 667-692. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.26.1.667
Sposito, M. P. (2003). Os jovens no Brasil: Desigualdades multiplicadas e novas demandas políticas https://repositorio.usp.br/item/001350111
Tribunal Superior Eleitoral (2023). Dados de filiação partidária revelam baixa participação política de jovens e mulheres O Progresso Digital. https://www.progresso.com.br/politica/dados-de-filiacao-partidaria-revelam-baixa-participacao-politica-de/411365/
Vásquez, J. D. (2013). Adultocentrismo y juventud: Aproximaciones Foucaulteanas. Sophía, Colección de Filosofía de la Educación, 1(15), 217–234. https://doi.org/10.17163/soph.n15.2013.08
Vommaro, P. A. (2015). Juventudes y políticas en la Argentina y en América Latina: Tendencias, conflictos y desafíos Grupo Editor Universitário.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Pro-Posições
