Resumo
Este artigo, produzido no âmbito de uma pesquisa multicêntrica sobre saúde mental na universidade, decanta de fragmentos de falas de jovens universitários recolhidas por meio de rodas de conversas bem como de reflexões produzidas pelas leituras relativas ao tema do estudo. Ainda que a ampliação no acesso à universidade tenha trazido novas perspectivas de futuro para jovens brasileiros, muitas dificuldades são apontadas por eles durante o percurso acadêmico e podem estar articuladas ao alto índice de sofrimento psíquico entre universitários, cuja expressão se apresenta nas estatísticas crescentes de suicídio e depressão. Na escrita, retomam-se alguns traços de colonialidade, relativos ao lugar social da universidade pública no País. Problematizam-se ainda os efeitos dos discursos neoliberais ao identificar a universidade como espaço de guerra civil.
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