Os sapatos de Scarlett

o corpo na Arqueologia Amazônica, e os caminhos desenhados por uma posicionalidade Queer

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v13i1.8654836

Palavras-chave:

Corpo, Regimes de corporeidade, Arqueologia amazônica

Resumo

Neste artigo partimos das provocações colocadas pelo curta-metragem “Os Sapatos de Aristeu”, dirigido por René Guerra, para conduzir o debate sobre como o tema da corporeidade tem sido abordado pela Arqueologia e, particularmente, pela Arqueologia Amazônica. Interrogamos o quanto a produção acadêmica sobre gênero e teoria Queer tem sido absorvida neste campo, e através de quais suportes teóricos o tema tem vindo à tona. Com base neste balanço, ainda apontamos alguns dos rumos que a teoria Queer oferece ao campo, destacando como esta dialoga com o universo material amazônico e o potencial de uma posicionalidade Queer, mais que de um suposto aparato teórico já estabelecido.

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Biografia do Autor

Mario Junior Polo, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Arqueologia pela Universidade Federala do Rio de janeiro. Pesquisador-colaborador do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. 

Lúcio Flávio Siqueira Costa Leite, Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá

Mestre em Antropologia e Arqueologia pela Universidade Federal do Pará. Gerente do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá.

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Publicado

2019-07-29

Como Citar

POLO, M. J.; LEITE, L. F. S. C. Os sapatos de Scarlett : o corpo na Arqueologia Amazônica, e os caminhos desenhados por uma posicionalidade Queer. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 13, n. 1[22], p. 180–198, 2019. DOI: 10.20396/rap.v13i1.8654836. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8654836. Acesso em: 9 fev. 2023.