Traduzir O estrangeiro, de Albert Camus: pensar a luz estrangeira na literatura em prosa

  • Gilles Jean Abes Universidade Federal de Santa Catarina
Palavras-chave: Camus. O estrangeiro. Tradução.

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar uma leitura da novela O estrangeiro, de Albert Camus, publicado pela primeira vez em 1942, pautado no conceito de “lumière étrangère” [luz estrangeira], advindo das artes plásticas. A análise do protagonista é crucial e tem como base obras de José Régio, D. H. Lawrence ou ainda cartas de Mário de Andrade. Num segundo momento, pretende-se detalhar o gesto singular que emana da tradução dessa obra e que busca assimilar conscientemente aquele elemento estrangeiro. Em seguida, será necessário ressaltar as divergências da nossa tradução para o português brasileiro, com as que estão disponíveis no mercado, para mostrar que o elemento estrangeiro pode provocar um grande desconforto para o tradutor, que tenderá a neutralizá-lo. Num terceiro momento, procura-se estabelecer uma reflexão, a partir do exercício tradutório, para ressaltar problemas específicos à tradução de textos literários em prosa. Essa reflexão passa por teóricos como Antoine Berman e Haroldo de Campos, notadamente na problematização dos conceitos de “informação semântica” e “informação estética”, elaborados por Max Bense.

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Biografia do Autor

Gilles Jean Abes, Universidade Federal de Santa Catarina
Professor Adjunto na Universidade Federal de Santa Catarina, no Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE), e professor permanente do programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET-UFSC).

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Publicado
2018-12-19
Como Citar
Abes, G. J. (2018). Traduzir O estrangeiro, de Albert Camus: pensar a luz estrangeira na literatura em prosa. Remate De Males, 38(2), 683-702. https://doi.org/10.20396/remate.v38i2.8652369