Dívida e castigo

o apocalipse da nova classe trabalhadora na ficção de Fernando Bonassi

Palavras-chave: Naturalismo, Literatura contemporânea, Política da literatura

Resumo

O artigo pretende interpretar a obra de Fernando Bonassi, principalmente seus romances Subúrbio e Luxúria, como figurações da contradição do capitalismo brasileiro pós-redemocratização. Os romances de Bonassi passam de um tom naturalista, que parece almejar definir uma classe social que se move de acordo com a realidade socioeconômica brasileira, para um tom trágico e distópico, em que decisões individuais transformam o destino de personagens banais. Cruzamos a leitura dos romances do autor brasileiro com uma análise da democracia e do estágio contemporâneo do capitalismo, principalmente a partir de quatro figuras da subjetividade contemporânea propostas por Antonio Negri e Michael Hardt: o endividado, o mediatizado, o securitizado e o representado.

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Biografia do Autor

Lucas Bandeira de Melo, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Foi professor substituto do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e, atualmente, faz pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.)

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Publicado
2020-05-29
Como Citar
Bandeira de Melo, L. (2020). Dívida e castigo. Remate De Males, 40(1), 41-68. https://doi.org/10.20396/remate.v40i1.8657538