Multidão, solidão

quando o poeta se converte em leitor nos limites da razão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v42i1.8667555

Palavras-chave:

Charles Baudelaire, Poema em prosa, Leitor

Resumo

A solicitação endereçada ao leitor é elemento central da constituição da poética de Charles Baudelaire. Em alguns poemas em prosa reunidos no título póstumo O spleen de Paris, a relação entre poeta e leitor parece se estabelecer por meio da encenação do sujeito poético como um leitor levado aos limites da razão. Este artigo busca apontar alguns aspectos dessa dramatização do poeta como intérprete que por vezes fracassa diante do real, confrontado com a própria incapacidade de decifração. A leitura partirá de aproximações entre o poema em prosa “As multidões”, de Baudelaire, do conto “The Man of the Crowd”, de Edgar Allan Poe, traduzido pelo poeta, e de trechos dos Paraísos artificiais, buscando examinar a relação entre os termos “solidão” e “multidão” e uma certa fluidez ou indeterminação da constituição do sentido. Pretende-se, assim, apontar de que maneira a representação do poeta como um exegeta nem sempre bem-sucedido diante da promessa de significados pode estar operando na construção do que se poderia chamar de uma “poética da contradição” do texto baudelairiano.

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Biografia do Autor

Rita Loiola, Universidade de São Paulo

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado

2022-08-03

Como Citar

LOIOLA, R. Multidão, solidão: quando o poeta se converte em leitor nos limites da razão. Remate de Males, Campinas, SP, v. 42, n. 1, p. 154–173, 2022. DOI: 10.20396/remate.v42i1.8667555. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8667555. Acesso em: 1 dez. 2022.