Resumo
A narrativa de formação, sobretudo o Bildungsroman, aborda o luto como causa de mudança de ambiente e, de modo menos incisivo, como elemento formador do caráter. Os processos de luto descritos por Freud e Kübler-Ross possuem coincidências, como a aceitação da perda. Na narrativa literária, há modos diversos de a aceitação ser representada. Quando a morte é causa de trauma, o trabalho de luto não termina. É uma das razões de as narrativas de testemunho que procuram o engajamento, principalmente contra tragédias coletivas, relatarem os efeitos da perda sobre o caráter formado. O romance contemporâneo sobre a ditadura militar tem assumido esse engajamento e adotado o “discurso patético”, conforme Bakhtin, ou “engajado”, conforme Ricoeur, através da representação das identidades formadas sob o efeito de traumas como assassinatos e desaparecimentos. Exemplos dessa estética são Milton Hatoum, Julián Fuks, Bernardo Kucinski e Marcelo Rubens Paiva, entre outros. Ainda estou aqui é abordado como síntese dessa tendência.
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