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O trabalho de luto na narrativa de formação: o trauma da morte no romance sobre a ditadura militar
Eduardo Frota: "des/CONSTRUIR SOBRE RUÍNAS", Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA), Galpão do Urubu, 2018.
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Palavras-chave

Bildungsroman
Identidade narrativa
Trabalho de luto

Metrica

Como Citar

SILVA, Edson Ribeiro da. O trabalho de luto na narrativa de formação: o trauma da morte no romance sobre a ditadura militar. Remate de Males, Campinas, SP, v. 45, n. 1, p. 85–111, 2025. DOI: 10.20396/remate.v45i1.8679305. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8679305. Acesso em: 8 maio. 2026.

Resumo

A narrativa de formação, sobretudo o Bildungsroman, aborda o luto como causa de mudança de ambiente e, de modo menos incisivo, como elemento formador do caráter. Os processos de luto descritos por Freud e Kübler-Ross possuem coincidências, como a aceitação da perda. Na narrativa literária, há modos diversos de a aceitação ser representada. Quando a morte é causa de trauma, o trabalho de luto não termina. É uma das razões de as narrativas de testemunho que procuram o engajamento, principalmente contra tragédias coletivas, relatarem os efeitos da perda sobre o caráter formado. O romance contemporâneo sobre a ditadura militar tem assumido esse engajamento e adotado o “discurso patético”, conforme Bakhtin, ou “engajado”, conforme Ricoeur, através da representação das identidades formadas sob o efeito de traumas como assassinatos e desaparecimentos. Exemplos dessa estética são Milton Hatoum, Julián Fuks, Bernardo Kucinski e Marcelo Rubens Paiva, entre outros. Ainda estou aqui é abordado como síntese dessa tendência.

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