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Uma interpretação decolonial da canção Um índio de Caetano Veloso
Capa: Lygia Eluf (sem título, série Desenhos da Quarentena, técnica: nanquim/papel, 35x15cm, 2020) e Carlos Lamari.
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Palavras-chave

Caetano Veloso
Um índio
Decolonialidade

Como Citar

OLIVEIRA, Rafael Bastos Costa de. Uma interpretação decolonial da canção Um índio de Caetano Veloso. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 31, n. 00, p. e023003, 2023. DOI: 10.20396/resgate.v31i00.8668163. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8668163. Acesso em: 12 abr. 2024.

Resumo

Este texto é uma interpretação ensaística da canção Um índio, de Caetano Veloso, a partir do pensamento decolonial. Como interlocutores mobilizo Quijano (2009), Dussel (1977) e Mariátegui (2018). Localizo o álbum Bicho como parte estruturante da compreensão da análise. Discuto brevemente algumas dimensões da filosofia do autor santamarense. O conjunto destes elementos foi elucidado para apontar como fui interpelado pela obra caetana. A metodologia consiste em uma análise decolonial, dialética e documental. As categorias, conceitos e chaves analíticas destrinchadas são heteronomia, estranhamento, colonialidade do poder e do saber, corporeidade, antipatriarcado, erótica, heterogeneidade, filosofia da libertação, sistema-mundo, exterioridade, regresso do futuro, horizonte, utopia e dependência cultural. A síntese é que a respectiva canção tem um traço decolonial veemente, ainda que não necessariamente intencional.

https://doi.org/10.20396/resgate.v31i00.8668163
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